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Escolarização versus Educação

Atualizado: 28 de fev. de 2021


No contexto da sociedade industrial, a educação tende a perder espaço para a escolarização. Estas duas "lógicas" entram em conflito em sala de aula. O professor é pressionado a tornar-se um gestor da escolarização, deixando de lado a lógica da educação, que é endógena e que tem como núcleo o autoconhecimento. Assim, a lógica exógena e gerencial da escolarização tende a marginalizar a educação e seu núcleo.

Isso acontece devido à busca de padronização inerente à industrialização, à busca de fornecimento de pessoal qualificado para o mercado.

A lógica da escolarização, entretanto, perde o sentido numa sociedade que busca superar a padronização industrial, numa sociedade dita "pós-industrial" ou que tenha o propósito de uma "terceira revolução industrial".

Para superar a padronização industrial é preciso superar a lógica produtivista da escolarização, que é inerente ao taylorismo e ao fordismo. É preciso também superar a síndrome do comportamentalismo, que ignora a psiquê do educando e faz pouco caso da psiquê do educador.

Taylorismo, fordismo e comportamentalismo constituem o núcleo da lógica da escolarização. E professor nenhum pode ignorá-la, sob o risco de perder seu emprego. Necessariamente o professor precisa apresentar ao seu coordenador ou diretor os resultados quantitativos do processo qualitativo que é a educação.

A questão que fica, portanto, é a seguinte: em que consiste o papel do professor enquanto educador, para além do subpapel de gestor de resultados quantificáveis?

Quem educará os educadores?, perguntou Marx.

Esta questão continua de pé. Ou o professor assume o papel de educador delimitando seu subpapel de gestor, ou será crescentemente marginalizado, superado por recursos tecnológicos, num contexto de profunda crise civilizatória.

A educação tem como núcleo o autoconhecimento, que diz respeito tanto ao educador quanto ao educando. Esse núcleo, por sua vez, é constituído por uma tradição de busca da sabedoria, que vai além do conhecimento verbal e especializado. O autoconhecimento divide-se em dois caminhos possíveis e complementares: a) o indireto, verbal, especializado ou não, sobre o próprio passado e seus condicionamentos; b) o direto, não verbal e perceptivo.

Os educadores serão educados pelo próprio autoconhecimento, pela busca de sabedoria. Nesse sentido Marx encontrou o limite de sua teoria materialista, por mais dialética que seja. A lógica dialética vai além da lógica mecanicista, sem dúvida, mas fica aquém da sabedoria, que supera todo conhecimento verbal, seja especializado ou não.

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A lógica dialética, assim como a dialógica, assume a tensão entre a escolarização e a educação, assume o desafio do autoconhecimento e da busca de sabedoria. Com isso poderá delimitar a lógica da escolarização, resistir ao produtivismo e à padronização, em busca da criatividade e da inovação.


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