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Interpretações da Obra de Guerreiro Ramos (1)

Estudo Comparativo entre Luiz Eduardo Motta, Márcio Ferreira de Souza e Sérgio Luís Boeira

  Relatório acadêmico comparativo

Fase 1953–1966 da obra de Alberto Guerreiro Ramos (1915–1982)

 

Preâmbulo


Alberto Guerreiro Ramos (1915–1982) é uma das figuras mais singulares do pensamento social brasileiro. Seus dois livros mais debatidos do período 1953-1966 — A Redução Sociológica (1958) e Mito e Verdade da Revolução Brasileira (1963) — suscitaram leituras acadêmicas que divergem não apenas nas conclusões, mas nos próprios pressupostos epistemológicos e nas escolhas bibliográficas que orientam cada intérprete.2 Este relatório compara três abordagens produzidas em décadas distintas: a de Luiz Eduardo Motta — professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro, doutor pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro —, expressa principalmente no artigo "A política do guerreiro: nacionalismo, revolução e socialismo no debate brasileiro dos anos 1960", publicado em Organizações & Sociedade em 2010;3 a de Márcio Ferreira de Souza, expressa no livro Guerreiro Ramos e o Desenvolvimento Nacional: a construção de um projeto para a nação e no artigo "Guerreiro Ramos, a redução sociológica e o imaginário pós-colonial";4 e a de Sérgio Luís Boeira, expressa na seção "1953-1966: Fase de redução sociológica, administração e desenvolvimento", integrante do livro digital Atualidade da Obra de Guerreiro Ramos: as novas gerações de guerreiristas.5 O cotejo dessas três leituras permite iluminar não apenas o que cada intérprete vê em Guerreiro Ramos, mas também o que cada referencial teórico os impede de ver.



Eixo 1 — A crítica ao PCB e ao marxismo


Posição de Motta


Motta toma Mito e Verdade da Revolução Brasileira como obra central para compreender a polêmica de Guerreiro com o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e com a tradição marxista-leninista. O PCB é caracterizado como uma organização "alienada", subordinada acriticamente às diretrizes da União Soviética e ao stalinismo, incapaz de constituir um processo revolucionário com bases genuinamente nacionais. A crítica não se dirige à obra complexa de Marx, mas ao "marxismo-leninismo" enquanto ideologia da Terceira Internacional, a seu "etapismo" mecanicista e a seu modelo de "partido-oráculo".6 Para refutar o centralismo burocrático do PCB, Guerreiro recorre, na leitura de Motta, a autores heterodoxos — Rosa Luxemburgo, Karl Kautsky, Robert Michels —, opondo ao modelo leninista de revolução política, vanguardista e doutrinária, o modelo marxiano de revolução social, espontânea e majoritária. Motta destaca a linguagem deliberadamente provocativa de Guerreiro — a metáfora do "rinoceronte" ionesciano, a expressão "jornada de otários" — como instrumentos retóricos de uma crítica que é, acima de tudo, uma disputa política dentro do campo progressista brasileiro.

Para Motta, essa crítica está indissoluvelmente ligada ao projeto terceiro-mundista: ao rejeitar o PCB, Guerreiro adere a um socialismo nacional anti-imperialista, alinhado às revoluções chinesa, cubana e argelina, rompendo de modo definitivo com o desenvolvimentismo burguês após 1958. Motta discorda expressamente de Caio Navarro de Toledo, para quem o nacionalismo de Guerreiro seria compatível com o liberalismo burguês: para Motta, há uma ruptura clara, e a radicalização de Guerreiro tem continuidade na Teoria da Dependência, formulada por Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos.7


Posição de Souza


Souza aborda a relação de Guerreiro com o marxismo de modo mais periférico e epistemológico. O marxismo-leninismo aparece como mais um conjunto de teorias estrangeiras submetido ao crivo da redução sociológica — não primariamente como adversário político a ser derrotado no debate da esquerda, mas como expressão do colonialismo intelectual que impede a formulação de uma teoria social autenticamente brasileira. A crítica ao PCB, em Souza, é sobretudo uma operação metodológica: Guerreiro aplica à categoria revolução o mesmo procedimento crítico-assimilativo que aplicara à sociologia funcionalista norte-americana e ao estruturalismo europeu. O foco está menos na arena partidária e mais na dimensão epistemológica: o que está em jogo é a dependência cultural que reproduz, na esfera da política, a mesma heteronomia que a sociologia importada reproduz na esfera acadêmica.

  

Posição de Boeira

Boeira insere a crítica ao marxismo-leninismo num arco cronológico mais longo e num horizonte filosófico mais amplo. A distinção entre revolução política, de matriz leninista, e revolução social, de matriz marxiana, já está ensaiada em A Crise do Poder no Brasil (1961), dois anos antes de Mito e Verdade. Mas o que mais distingue a leitura de Boeira é a centralidade que confere à noção de homem parentético — conceito que, originado da epoché husserliana, representa a forma subjetiva da redução sociológica.8 Sem a atitude parentética, o ser humano é "matéria bruta dos acontecimentos, unidade indiferenciada de um rebanho"; com ela, pode transcender os condicionamentos circunstanciais — inclusive o condicionamento político-ideológico representado pelo PCB. Assim, a crítica ao marxismo-leninismo não é apenas uma disputa política, como em Motta, nem apenas uma operação epistemológica, como em Souza: é, em Boeira, uma questão existencial sobre a capacidade humana de autonomia em face dos aparelhos burocráticos e das "palavras de ordem" que pretendem substituir a consciência crítica.

O diálogo com Edgar Morin — que Boeira sustenta ao longo de toda a análise — aprofunda essa dimensão: a autonomia parentética de Guerreiro Ramos ressoa na "atitude complexa" moriniana, que também se volta contra as razões fechadas e instrumentais.9


Síntese comparativa do Eixo 1


As três leituras não são simplesmente complementares: são estruturalmente divergentes em seus pontos de partida. Motta lê a crítica ao PCB a partir de uma posição interna ao marxismo heterodoxo, sob influência de Ernesto Laclau e Rosa Luxemburgo; Souza, a partir do pós-colonialismo de Frantz Fanon e Georges Balandier; Boeira, a partir do paradigma da complexidade de Edgar Morin. Cada referencial ilumina um aspecto distinto: Motta, a dimensão agonal e política; Souza, a dimensão epistemológica e cultural; Boeira, a dimensão existencial e transdisciplinar.


Eixo 2 — O projeto nacional-popular


Posição de Motta

Para Motta, o projeto nacional-popular de Guerreiro Ramos é uma "ideologia populista nacionalista revolucionária" com atores, organizações e trajetórias históricas concretas. O nacional-popular articula nacionalismo, anti-imperialismo, mobilização das massas e socialismo terceiro-mundista, e Guerreiro é apresentado como sua expressão intelectual

mais radical no Brasil anterior a 1964. Esse projeto não é ilusão nem "falsa consciência": apoiando-se em Ernesto Laclau, Motta afirma que há um populismo das classes dominadas, antagônico ao bloco dominante, que articula demandas heterogêneas em torno de uma identidade comum.10 O povo, nessa leitura, é antes de tudo ator político: o Partido Trabalhista Brasileiro, o Comando Geral dos Trabalhadores, a União Nacional dos Estudantes, as Ligas Camponesas e a bancada nacionalista. Motta insiste que, após 1958, Guerreiro rompe com o desenvolvimentismo e com a tese da hegemonia da burguesia nacional na revolução. O projeto nacional-popular guerreiriano é inscrito numa linhagem internacional: Cuba, Argélia, China, o Movimento Popular de Libertação de Angola e a Frente de Libertação de Moçambique.


Posição de Souza

Souza lê o projeto nacional-popular como projeto antes de tudo epistemológico-cultural: construir um "imaginário pós-colonial" que fundamente um desenvolvimento genuíno.11 O desenvolvimento sem o substrato normativo do nacionalismo reproduz a dependência colonial — o nacionalismo é o "fator de ruptura" com a complementaridade dependente que condena o Brasil a um desenvolvimento enlatado, uma "fuga para frente" sem emancipação real. O povo, em Souza, é sujeito cultural e existencial, base de uma mentalidade nacional pós-colonial, e não primariamente ator político-revolucionário. Souza privilegia a continuidade entre a fase isebiana e o projeto de desenvolvimento, sem sublinhar a ruptura posterior a 1958 que Motta considera determinante. O interlocutor teórico privilegiado é o pós-colonialismo africano de Fano e Balandier, e não a a tradição socialista terceiro-mundista latino-americana.


Posição de Boeira

Boeira apresenta o projeto nacional-popular de Guerreiro com uma abrangência bibliográfica superior à das outras duas leituras. Ao incluir O Problema Nacional do Brasil (1960) e A Crise do Poder no Brasil (1961) como obras constitutivas do período — e não apenas Mito e Verdade —, ele mostra que o projeto guerreiriano continha, desde 1960, uma crítica pioneira ao "terciário predatório" e ao padrão de industrialização imitativa.12 Guerreiro criticava a "regulamentação dos consumos", o "supérfluo" como destruidor da poupança nacional, a falta de aproveitamento do potencial hidráulico e a não industrialização dos resíduos. Boeira conecta explicitamente essa crítica ao que Guerreiro formularia, décadas depois, como distinção entre industrialismo convencional e industrialismo orgânico, prefigurando o debate sobre sustentabilidade.  Essa dimensão ecopolítica é completamente ausente em Motta e em Souza. Além disso, Boeira

é o único dos três a tratar Administração e Estratégia do Desenvolvimento (1966) como obra da fase, mostrando que o projeto nacional-popular desemboca diretamente numa "sociologia especial da administração" fundada na redução sociológica — e não numa ruptura entre o "Guerreiro político" e o "Guerreiro administrativo".


Síntese comparativa do Eixo 2


Motta privilegia a dimensão política do projeto — atores, organizações, disputas; Souza, a dimensão epistemológico-cultural — imaginário, identidade, pós-colonialismo; Boeira, a dimensão civilizatória e ecopolítica — industrialismo, consumo, sustentabilidade. O projeto nacional-popular aparece em cada leitura com contornos distintos: nação revolucionária, em Motta; nação pós-colonial, em Souza; nação orgânica e substantiva, em Boeira.


Eixo 3 — O legado da sociologia de Guerreiro Ramos


Posição de Motta

Motta projeta o legado de Guerreiro essencialmente para o campo da esquerda latino-americana. A Teoria da Dependência, formulada por Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos, é apresentada como continuação do projeto terceiro-mundista guerreiriano. A redução sociológica é o instrumento para libertar o pensamento brasileiro da atitude subalterna e colonial — mas o que importa, em Motta, é o resultado político dessa libertação: uma sociologia nacional capaz de orientar projetos de transformação social. Motta reivindica Guerreiro como "verdadeiro patrono" da sociologia brasileira, superior a Florestan Fernandes nesse aspecto, porque Guerreiro ousou pensar o Brasil a partir de conceitos transformados à luz da realidade nacional, e não de uma sociologia pretensamente universal.13 O golpe de 1964 é apresentado como truncamento violento desse processo.

Posição de Souza

Souza projeta o legado de Guerreiro para os estudos pós-coloniais contemporâneos, deslocando-o de um debate interno à esquerda para uma tradição epistemológica mais ampla, de crítica ao eurocentrismo nas ciências sociais. A redução sociológica é reapresentada como método ainda válido para qualquer país periférico que precise assimilar criticamente teorias produzidas em contextos hegemônicos. Souza abre, assim, um potencial de atualização do pensamento guerreiriano que transcende as disputas políticas dos anos 1960: Guerreiro é um precursor do que hoje se chama epistemologias do Sul, na formulação

de Boaventura de Sousa Santos, ou decolonialidade, na de Aníbal Quijano e Walter Mignolo.14 O legado, em Souza, é menos político e mais metodológico-cultural.

Posição de Boeira

Boeira propõe o legado mais complexo dos três. A chave interpretativa é o diálogo intelectual e pessoal entre Guerreiro Ramos e Edgar Morin, que nenhum dos outros dois explora. Ambos partilhavam a crítica ao Grande Paradigma do Ocidente — a disjunção sujeito-objeto, a fragmentação disciplinar, a razão instrumental —, e a amizade entre eles, documentada no Diário da Califórnia de Morin (2012), revela que a "guinada" americana de Guerreiro não foi uma ruptura com seu projeto anterior, mas seu aprofundamento epistemológico.15 O legado guerreiriano em Boeira é transdisciplinar: articula crítica das ciências sociais, teoria das organizações, ecologia, termodinâmica e complexidade. A redução sociológica é lida como precursora da própria ideia de paradigma da complexidade: ambas recusam o reducionismo disciplinar e propõem uma assimilação crítica e criativa dos saberes disponíveis. Além disso, Boeira é o único que conecta a fase de 1953-1966 à obra tardia de Guerreiro — A Nova Ciência das Organizações (1981) e o artigo "As Confusões do Industrialismo" (1981) --, mostrando uma continuidade que as divisões por "fases" tendem a obscurecer.


Síntese comparativa do Eixo 3


Os três intérpretes recusam, de modos distintos, a divisão artificial da obra de Guerreiro em fases estanques — mas cada um propõe uma continuidade diferente. Para Motta, a continuidade é político-ideológica, do Instituto Superior de Estudos Brasileiros ao socialismo terceiro-mundista e à Teoria da Dependência. Para Souza, é epistemológico-cultural, da sociologia nacional ao pós-colonialismo. Para Boeira, é civilizatória e complexa, da redução sociológica ao paradigma da complexidade, passando pela ecopolítica. O que cada intérprete propõe como "legado" revela o que cada referencial teórico autoriza a enxergar.


Interpretação crítica e conclusões


O cotejo das três abordagens revela, em primeiro lugar, que a obra de Guerreiro Ramos é suficientemente ampla e polissêmica para sustentar leituras radicalmente distintas sem que nenhuma possa ser considerada simplesmente equivocada.16 Em segundo lugar, evidencia que cada intérprete lê Guerreiro à luz de suas próprias apostas teóricas:  Motta, com o

instrumental do marxismo heterodoxo e da teoria do populismo; Souza, com o pós-colonialismo africano e latino-americano; Boeira, com o paradigma da complexidade e a ecopolítica.

Em terceiro lugar, a comparação mostra que a escolha dos textos analisados é ela mesma um gesto interpretativo. Motta e Souza tendem a privilegiar uma ou duas obras do período; Boeira percorre o arco completo da fase de 1953-1966, incluindo obras menos citadas — O Problema Nacional do Brasil, A Crise do Poder no Brasil e Administração e Estratégia do Desenvolvimento —, e essa escolha bibliográfica produz uma imagem de Guerreiro mais plural e menos redutível a um único vetor temático.

A principal contribuição de Motta é a reconstituição histórica mais precisa do campo político em que Guerreiro operou: a disputa interna à esquerda, os atores, as organizações, as polêmicas. A principal contribuição de Souza é a inscrição de Guerreiro numa tradição pós-colonial mais ampla, tornando-o interlocutor de debates contemporâneos sobre epistemologias do Sul. A principal contribuição de Boeira é a recuperação da integralidade da fase de 1953-1966, a articulação com o pensamento de Morin e a abertura de uma chave de leitura ecopolítica inédita.

A lacuna mais significativa em Motta é a ausência da dimensão existencial e filosófica — o homem parentético como problema filosófico, e não apenas como ferramenta retórica. Em Souza, é a desatenção às dimensões política e ecológica do projeto guerreiriano. Em Boeira, é a menor atenção à especificidade da arena político-partidária e às tensões concretas da esquerda anterior a 1964, que Motta reconstituiu com mais precisão histórica. Em conjunto, as três leituras compõem um retrato tridimensional de Guerreiro Ramos no qual a divergência interpretativa, longe de ser um defeito, funciona como evidência da fecundidade duradoura de sua obra.


Quadro Comparativo das Três Interpretações da Obra de Guerreiro Ramos (Fase 1953-1966)

 

Dimensão

Luiz Eduardo Motta

Márcio Ferreira de Souza

Sérgio Luís Boeira

Obras de referência 

centrais

Mito e Verdade (1963)

A Redução Sociológica (1958)

Todas as obras de 1953-1966 (Introdução crítica, ReduçãoProblema nacionalCrise do poder

Mito e verdadeAdm. e 

estratégia)

Enquadramento teórico do intérprete

Marxismo heterodoxo

 (Laclau, Rosa

 Luxemburgo)

Pós-colonialismo (Fanon, Balandier)

Paradigma da

 complexidade (Morin)

Leitura da crítica ao

 PCB

Disputa política interna à esquerda; PCB como organização 

alienada e stalinista

Operação epistemológica: redução sociológica aplicada à categoria 

revolução

Dimensão existencial: homem parentético como resposta à alienação dos aparelhos

Relação com o

 marxismo

Rejeição do marxismo-leninismo; preservação de Marx heterodoxo

Marxismo como mais um corpo teórico estrangeiro a "reduzir"

Confronto entre revolução política

 (Lenin) e revolução social (Marx); dimensão 

filosófica

Projeto

nacional-popular

Socialismo terceiro-mundista; atores políticos concretos (PTB, CGT, Ligas)

Imaginário pós-colonial; 

desenvolvimento

 cultural autônomo

Autodeterminação nacional com dimensão 

civilizatória 

e ecopolítica

Papel do povo

Ator político-revolucionário concreto

Sujeito cultural e existencial de uma mentalidade nacional

Categoria histórica

 em formação; sujeito de um povo em busca de soberania

Periodização da obra

Divisão em fases 

(isebiana /

pós-ISEB) com ruptura

 em 1958

Continuidade do projeto epistemológico;

ruptura pouco enfatizada

Arco contínuo 1953-1966; recusa da divisão artificial em fases

Ruptura após saída do

 ISEB (1958)

Ruptura clara: abandono do desenvolvimentismo; radicalização terceiro-mundista

Continuidade do projeto pós-colonial

Radicalização 

progressiva, mas com fio condutor: a redução sociológica

Homem parentético

Mencionado como

 ferramenta retórica, pouco desenvolvido

Lateral

Central: 

elo filosófico

 entre Redução sociológica e Mito e verdade

Dimensão ecopolítica

Ausente

Ausente

Presente: crítica ao terciário predatório

 (1960); industrialismo orgânico

Relação Guerreiro-Morin

Ausente

Ausente

Explícita

e desenvolvida: amizade, convergências,

 diferenças

Legado projetado

Teoria da Dependência; esquerda latino-americana

Estudos pós-coloniais; epistemologias do Sul

Transdisciplinar: complexidade,

 ecopolítica, teoria das organizações

Principal lacuna interpretativa

Ausência da dimensão existencial e filosófica

Desatenção à arena

político-partidária e à dimensão ecológica

Menor precisão na reconstituição das disputas concretas da esquerda

pré-1964


Notas


1 Nota sobre o uso de inteligência artificial: este artigo em forma de relatório foi elaborado com auxílio de inteligência artificial generativa (Perplexity Computer, maio de 2026). As fontes citadas foram verificadas  por mim. Assumo integralmente a responsabilidade pelo conteúdo.

2 RAMOS, Alberto Guerreiro. A Redução Sociológica. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996 [1958]; e RAMOS, Alberto Guerreiro. Mito e Verdade da Revolução Brasileira. 2. ed. Florianópolis: Insular, 2016 [1963].

3 MOTTA, Luiz Eduardo. A política do guerreiro: nacionalismo, revolução e socialismo no debate brasileiro dos anos 1960.

Organizações & Sociedade, v. 17, n. 52, p. 79-99, jan./mar. 2010. Disponível em: scielo.br/j/osoc. Acesso em: 31 maio 2026.

4 SOUZA, Márcio Ferreira de. Guerreiro Ramos e o Desenvolvimento Nacional. Belo Horizonte: Fino Traço, 2009; e SOUZA, Márcio Ferreira de. Guerreiro Ramos, a redução sociológica e o imaginário pós-colonial. Caderno CRH, Salvador, v. 25, n. 65, p. 245-258, maio/ago. 2012. Disponível em: scielo.br/j/ccrh. Acesso em: 31 maio 2026.

5 BOEIRA, Sérgio Luís. Atualidade da obra de Guerreiro Ramos: as novas gerações de guerreiristas. Curitiba: Appris, 2023. ISBN 978-65-250-4596-2.

6 A leitura de Motta apoia-se na recepção heterodoxa do marxismo, sobretudo na teoria do populismo de Ernesto Laclau e no debate sobre revolução política e revolução social. Cf. MOTTA, 2010, p. 79-99.

7 Motta diverge expressamente de Caio Navarro de Toledo, situando a radicalização de Guerreiro na linhagem que conduziria à Teoria da Dependência de Ruy Mauro Marini e Theotônio dos Santos. Cf. MOTTA, 2010.

8 O conceito de homem parentético, derivado da epoché husserliana, é tratado por Boeira como a forma subjetiva da redução sociológica e como elo filosófico entre A Redução Sociológica (1958) e Mito e Verdade (1963). Cf. BOEIRA, 2023.

9 Boeira sustenta o diálogo entre Guerreiro Ramos e Edgar Morin ao longo de toda a análise, aproximando a autonomia parentética da "atitude complexa" moriniana. Cf. BOEIRA, 2023.

10 A noção de "populismo das classes dominadas" é mobilizada por Motta a partir de Ernesto Laclau, para sustentar o caráter contra-hegemônico do nacional-popular guerreiriano. Cf. MOTTA, 2010.

11 A categoria "imaginário pós-colonial" é central no artigo de 2012 e dialoga com a antropologia de Georges Balandier e com a obra de Frantz Fanon. Cf. SOUZA, 2012, p. 245-258.

12 Boeira é o único dos três intérpretes a incorporar O Problema Nacional do Brasil (1960), A Crise do Poder no Brasil (1961) e Administração e Estratégia do Desenvolvimento (1966) como obras constitutivas da fase. Cf. BOEIRA, 2023.

13 A reivindicação de Guerreiro Ramos como "verdadeiro patrono" da sociologia brasileira, em contraponto a Florestan Fernandes, é um dos pontos mais polêmicos da leitura de Motta. Cf. MOTTA, 2010.

14 Souza aproxima a redução sociológica das epistemologias do Sul, de Boaventura de Sousa Santos, e da decolonialidade, de Aníbal Quijano e Walter Mignolo. Cf. SOUZA, 2012.

15 A amizade entre Guerreiro Ramos e Edgar Morin é documentada no Diário da Califórnia de Morin (2012), fonte explorada por Boeira para sustentar a continuidade entre as fases da obra guerreiriana. Cf. BOEIRA, 2023.

16 SHIOTA, Ricardo Ramos. O livro proibido de Guerreiro Ramos. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro, v. 18, n. 2, p. 424-428, abr./jun. 2020. Disponível em: scielo.br/j/cebape. Acesso em: 31 maio 2026.



Referências

BOEIRA, Sérgio Luís. Atualidade da obra de Guerreiro Ramos: as novas gerações de guerreiristas. Curitiba: Appris, 2023. ISBN 978-65-250-4596-2.

MOTTA, Luiz Eduardo. A política do guerreiro: nacionalismo, revolução e socialismo no debate brasileiro dos anos 1960. Organizações & Sociedade, v. 17, n. 52, p. 79-99, jan./mar. 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/osoc/a/LkSnBvPQ7XGX4mc6xbnQpSD/. Acesso em: 31 maio 2026.

RAMOS, Alberto Guerreiro. A Redução Sociológica. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1996 [1958].

RAMOS, Alberto Guerreiro. Mito e Verdade da Revolução Brasileira. 2. ed. Florianópolis: Insular, 2016 [1963].

RAMOS, Alberto Guerreiro. O Problema Nacional do Brasil. Rio de Janeiro: Saga, 1960. RAMOS, Alberto Guerreiro. A Crise do Poder no Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 1961.

RAMOS, Alberto Guerreiro. Administração e Estratégia do Desenvolvimento. Rio de Janeiro: FGV, 1966.

SHIOTA, Ricardo Ramos. O livro proibido de Guerreiro Ramos. Cadernos EBAPE.BR, Rio de Janeiro,   v.   18,   n.   2,   p.   424-428,   abr./jun.   2020.   Disponível   em:

SOUZA, Márcio Ferreira de. Guerreiro Ramos e o Desenvolvimento Nacional: a construção de um projeto para a nação. Belo Horizonte: Fino Traço, 2009.

SOUZA, Márcio Ferreira de. Guerreiro Ramos, a redução sociológica e o imaginário pós-colonial. Caderno CRH, Salvador, v. 25, n. 65, p. 245-258, maio/ago. 2012. Disponível em:

 
 
 

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