Da consciência histórica à consciência intencional: Hegel e Husserl vistos a partir do pensamento complexo
- Sérgio Luís Boeira
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Nota: Este artigo constitui a segunda parte de um percurso dedicado às relações entre epistemologia, fenomenologia e ontologia a partir do pensamento complexo de Edgar Morin. O primeiro artigo — “Do sujeito que separa ao sujeito que organiza: Descartes e Kant vistos a partir do pensamento complexo” — examinou o dualismo cartesiano e a revolução copernicana kantiana no contexto da passagem do paradigma da simplificação ao paradigma da complexidade. Nesta segunda parte, o percurso avança para Hegel e Husserl, procurando compreender duas transformações fundamentais: a historicização da consciência e a constituição da fenomenologia como investigação sistemática da intencionalidade e da experiência.
Objetivo
Examinar, a partir do pensamento complexo de Edgar Morin, as contribuições de Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Edmund Husserl para a epistemologia, a fenomenologia e a ontologia, destacando as transformações que introduzem na relação entre sujeito, consciência, objeto e mundo. Busca-se compreender como Hegel historiciza e dialetiza a consciência, superando a concepção de um sujeito transcendental abstratamente separado de seu processo de formação, e como Husserl transforma a fenomenologia numa investigação rigorosa da consciência intencional e dos modos pelos quais os fenômenos se dão à experiência. A comparação procura identificar aproximações, diferenças e tensões entre essas contribuições e o paradigma da complexidade de Morin, especialmente quanto às noções de relação, organização, historicidade, reflexividade e conhecimento do conhecimento.
Resumo
A passagem de Kant a Hegel e Husserl representa duas transformações fundamentais na história da filosofia moderna e contemporânea. Hegel concebe a consciência como processo: sujeito e objeto não permanecem polos fixos, mas transformam-se no movimento histórico e dialético da experiência, mediante contradições e sucessivas reorganizações das formas de consciência (1). A fenomenologia hegeliana é, nesse sentido, uma fenomenologia da formação histórica da consciência e do espírito. Husserl, por outro caminho, funda a fenomenologia como investigação rigorosa das estruturas da experiência consciente, combatendo o psicologismo e recuperando a intencionalidade como característica fundamental da consciência: toda consciência é consciência de algo (2; 3). Com a epoché e a redução fenomenológica, procura suspender pressupostos da atitude natural para investigar como os fenômenos se dão e como o sentido se constitui na experiência (3). A partir do pensamento complexo de Edgar Morin, o artigo argumenta que Hegel contribui decisivamente para a superação de uma concepção estática e abstrata do sujeito, enquanto Husserl aprofunda a reflexividade e a inseparabilidade entre consciência e fenômeno. Entretanto, a historicidade hegeliana tende a ser organizada pela dinâmica do espírito, enquanto a subjetividade transcendental husserliana não incorpora plenamente as determinações biológicas, ecológicas, sociais e culturais do sujeito cognoscente. Morin recontextualiza esses problemas ao conceber o conhecimento como processo simultaneamente cerebral, psíquico, antropológico, social e cultural, produzido por um sujeito que emerge dentro do próprio mundo que procura conhecer (4; 5).

Introdução
No primeiro artigo deste percurso, Descartes e Kant foram examinados a partir da distinção proposta por Edgar Morin entre paradigma da simplificação e paradigma da complexidade. O dualismo cartesiano mostrou-se particularmente relevante para compreender a disjunção moderna entre sujeito e objeto, mente e matéria, enquanto a revolução copernicana de Kant introduziu uma transformação decisiva: o sujeito não recebe passivamente uma realidade exterior já constituída, mas participa das condições mediante as quais algo pode tornar-se objeto de experiência.
Kant, entretanto, deixa em aberto um problema fundamental. Se as formas a priori da sensibilidade, as categorias e a unidade transcendental da apercepção constituem condições universais da experiência, como compreender a formação do próprio sujeito? Em que medida a consciência possui história? E até que ponto aquilo que aparece ao sujeito pode ser investigado sem pressupor previamente uma realidade completamente independente das condições de seu aparecimento?
Hegel e Husserl respondem a esses problemas por caminhos profundamente diferentes. Em Hegel, a consciência deixa de ser compreendida como estrutura transcendental fixa e passa a ser concebida em seu processo de formação. A Fenomenologia do Espírito acompanha diferentes figuras da consciência, mostrando como cada forma de relação com seu objeto produz contradições que conduzem à sua transformação (1). A consciência aprende mediante sua própria experiência.
Husserl, quase um século depois, atribui à fenomenologia outro sentido. Sua questão não consiste em reconstruir o percurso histórico-dialético do espírito, mas em retornar à experiência tal como ela se dá, investigando rigorosamente as estruturas da consciência e sua intencionalidade (2; 3). A consciência não é uma substância fechada sobre si mesma: é sempre consciência de algo.
A passagem da consciência histórica hegeliana à consciência intencional husserliana não deve, contudo, ser entendida como uma sucessão linear na qual Husserl simplesmente supera Hegel. Trata-se de diferentes concepções de fenomenologia e de diferentes maneiras de enfrentar a relação sujeito–objeto. Hegel enfatiza processo, contradição, mediação e historicidade; Husserl privilegia intencionalidade, descrição, evidência, redução e constituição de sentido.
A partir do pensamento complexo, ambas as contribuições podem ser simultaneamente reconhecidas e recontextualizadas. Morin também rejeita um sujeito isolado e uma epistemologia incapaz de refletir sobre suas próprias condições de produção. Entretanto, o sujeito moriniano emerge de uma organização simultaneamente física, biológica, cerebral, psíquica, linguística, social, cultural e histórica (4; 5). O conhecimento do conhecimento exige, assim, uma reflexividade que não pode limitar-se nem ao movimento do espírito nem à consciência transcendental.
O artigo desenvolve essa argumentação em seis seções. A primeira examina a transformação hegeliana da fenomenologia e a historicização da consciência. A segunda aborda experiência, dialética, contradição e relação sujeito–objeto em Hegel. A terceira apresenta a constituição da fenomenologia husserliana, com destaque para a crítica ao psicologismo e a intencionalidade. A quarta examina epoché, redução fenomenológica e subjetividade transcendental. A quinta compara Hegel e Husserl nos planos epistemológico, fenomenológico e ontológico. A sexta recontextualiza suas contribuições a partir do pensamento complexo de Morin.
1. Hegel: a fenomenologia como formação da consciência
Em Hegel, a palavra fenomenologia adquire um significado profundamente diferente daquele que posteriormente assumirá em Husserl. A Phänomenologie des Geistes, publicada em 1807, acompanha o processo mediante o qual a consciência experimenta sucessivas formas de relação com seu objeto e consigo mesma (1).
A consciência não aparece como entidade pronta. Ela se forma. Esse ponto representa uma transformação fundamental em relação a Kant. O sujeito transcendental kantiano expressa condições universais de possibilidade da experiência. Hegel desloca a atenção para o processo pelo qual a consciência chega a determinadas formas de saber.
A consciência possui, portanto, uma história. O conhecimento não pode ser compreendido apenas mediante estruturas universais situadas acima ou fora desse processo. Aquilo que o sujeito considera verdadeiro depende da figura assumida por sua consciência em determinado momento de sua experiência.
Isso não significa relativismo simples. Cada forma de consciência contém tensões e insuficiências que emergem de sua própria experiência e impulsionam sua transformação. A fenomenologia hegeliana pode ser compreendida, assim, como uma investigação do devir da consciência.
2. Experiência, contradição e dialética: sujeito e objeto em transformação
Uma das contribuições mais importantes de Hegel para a superação do dualismo moderno consiste em recusar a concepção de sujeito e objeto como polos inteiramente fixos e exteriores um ao outro.
Na experiência da consciência, não é apenas aquilo que o sujeito sabe sobre o objeto que se transforma. A própria concepção do objeto e a própria consciência transformam-se reciprocamente (1). Temos, portanto, uma relação dinâmica, conforme a ilustração abaixo:

A contradição deixa de representar apenas erro lógico a ser eliminado e assume função produtiva no processo do conhecimento. Uma determinada forma de consciência descobre, mediante sua experiência, que aquilo que considerava verdadeiro não corresponde inteiramente à própria experiência que produz.
O negativo participa, assim, do movimento do conhecimento. Essa concepção aproxima Hegel, sob determinado aspecto, de uma questão que posteriormente será central para o pensamento complexo: a transformação pode emergir da tensão, da oposição e da crise, e não exclusivamente da eliminação desses elementos.
Entretanto, não se deve identificar dialética hegeliana e pensamento complexo. Em Morin, relações contraditórias podem permanecer simultaneamente complementares e antagônicas sem necessariamente serem conduzidas a uma superação dialética definitiva. O princípio dialógico procura manter determinadas tensões sem dissolvê-las numa síntese final (4; 5).
3. Husserl: da crítica ao psicologismo à consciência intencional
Com Edmund Husserl, a fenomenologia assume um novo projeto. Nas Logische Untersuchungen, publicadas originalmente em 1900 e 1901, Husserl combate o psicologismo, isto é, a redução das estruturas lógicas às operações psicológicas empíricas dos indivíduos (2).
Se as leis da lógica fossem apenas regularidades psicológicas, sua validade dependeria de fatos contingentes acerca do funcionamento da mente humana. Husserl procura preservar a diferença entre atos psicológicos concretos e a validade ideal dos significados e das relações lógicas.
Ao mesmo tempo, sua investigação volta-se progressivamente para os atos mediante os quais os objetos e significados são dados à consciência. A noção de intencionalidade torna-se central. Consciência não significa uma espécie de recipiente interior no qual existiriam representações isoladas do mundo. A consciência é sempre consciência de alguma coisa.
Podemos representar: consciência → de → algo. A relação é constitutiva da própria consciência. Essa concepção introduz uma transformação importante em relação ao dualismo cartesiano. Se a consciência é essencialmente intencional, ela não pode ser adequadamente compreendida como uma substância inteiramente encerrada sobre si mesma que posteriormente precisaria estabelecer uma ponte com o mundo exterior. A intencionalidade introduz uma estrutura relacional no próprio conceito de consciência.
4. Epoché, redução fenomenológica e subjetividade transcendental
Em Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie, de 1913, Husserl desenvolve de maneira mais sistemática a fenomenologia transcendental (3). Naquilo que denomina atitude natural, vivemos normalmente supondo a existência do mundo e de seus objetos. Essa atitude é indispensável à vida cotidiana e às ciências, mas a fenomenologia procura investigá-la reflexivamente.
A epoché consiste em suspender metodologicamente determinadas tomadas de posição acerca da existência do mundo, não para negar o mundo, mas para tornar possível a investigação de como ele se dá à consciência. A redução fenomenológica desloca, assim, a pergunta: “O objeto existe independentemente de mim?” para: “Como esse objeto se manifesta e adquire sentido na experiência consciente?”
Essa transformação permite investigar correlações entre atos da consciência e aquilo para o qual esses atos se dirigem. Husserl radicaliza, nesse sentido, um problema aberto pela revolução copernicana de Kant. Entretanto, não simplesmente repete Kant. O interesse fenomenológico dirige-se à descrição das estruturas mediante as quais os fenômenos se apresentam e são vivenciados.
A fenomenologia transcendental conduz Husserl à noção de subjetividade transcendental. Isso cria uma tensão importante para nossa comparação com Morin. De um lado, Husserl rompe com o sujeito substancial cartesiano e estabelece uma consciência essencialmente relacional e intencional. De outro, a redução transcendental pode parecer afastar da investigação justamente as condições naturais, corporais, históricas e socioculturais que o pensamento complexo considera constitutivas do sujeito cognoscente.
Essa tensão não deve ser resolvida simplificadamente. A obra posterior de Husserl, especialmente quando introduz a problemática do mundo da vida, ampliará significativamente a questão. Mas já em sua fenomenologia transcendental encontra-se um problema que permanecerá central: não podemos investigar adequadamente o conhecimento ignorando os modos pelos quais algo se apresenta à experiência de um sujeito. 5. Epistemologia, fenomenologia e ontologia: Hegel e Husserl
A comparação entre Hegel e Husserl permite perceber que a palavra fenomenologia abriga projetos filosóficos bastante diferentes.
No plano epistemológico, Hegel concebe o conhecimento como processo de formação no qual consciência e objeto se transformam mediante a experiência. Husserl procura esclarecer rigorosamente as estruturas dos atos cognitivos e os modos de doação dos objetos à consciência. No plano fenomenológico, Hegel investiga as sucessivas figuras mediante as quais a consciência aparece e se transforma em seu percurso em direção ao saber. Husserl investiga os fenômenos enquanto se dão à consciência intencional.
Podemos sintetizar: Hegel: fenomenologia do processo da consciência. Husserl: fenomenologia da experiência intencional.
No plano ontológico, a diferença também é significativa. Em Hegel, a oposição sujeito–objeto precisa ser compreendida no interior do movimento dialético mais amplo mediante o qual realidade, consciência e espírito se desenvolvem. Em Husserl, especialmente na fenomenologia transcendental, a questão ontológica é metodologicamente suspensa para que se possa investigar a correlação entre consciência e fenômeno.
Hegel tende, portanto, a historicizar e dialetizar aquilo que Kant havia transcendentalizado. Husserl tende a radicalizar fenomenologicamente a investigação transcendental, deslocando-a para a correlação intencional entre consciência e aquilo que nela se manifesta. São movimentos distintos, mas ambos tornam cada vez mais difícil conservar a representação cartesiana de um sujeito absolutamente separado de seu objeto.
6. Hegel, Husserl e Morin: da consciência ao conhecimento do conhecimento
A partir do pensamento complexo de Edgar Morin, as contribuições de Hegel e Husserl podem ser simultaneamente incorporadas e problematizadas. De Hegel, torna-se particularmente relevante a ideia de que o sujeito não é uma realidade pronta e a-histórica. A consciência se forma mediante processos, relações, conflitos e transformações. O conhecimento possui história.
Também é relevante a concepção de que contradições não constituem apenas falhas a eliminar. Podem participar da dinâmica mediante a qual o pensamento se transforma. Morin, entretanto, distingue sua concepção dialógica da dialética orientada para a superação das contradições. No pensamento complexo, determinados termos podem ser simultaneamente concorrentes, complementares e antagônicos. Ordem e desordem, autonomia e dependência, indivíduo e sociedade, sujeito e objeto não precisam desaparecer numa síntese definitiva (4; 5).
De Husserl, torna-se especialmente importante a crítica de uma consciência concebida como interioridade fechada. A intencionalidade estabelece que consciência e objeto precisam ser compreendidos correlativamente. Essa contribuição possui afinidade importante com a crítica moriniana à separação absoluta entre sujeito e objeto. Entretanto, Morin desloca novamente a questão. O sujeito da experiência não pode ser compreendido apenas como consciência transcendental.
O sujeito conhece porque possui cérebro, corpo, memória, afetividade e linguagem; porque pertence a uma espécie biológica; porque se desenvolve numa sociedade e numa cultura; porque participa de paradigmas, sistemas de ideias e formas históricas de organização do conhecimento (4; 5). Podemos, portanto, representar o percurso dos quatro filósofos examinados nos dois artigos:

Essa representação não pretende estabelecer uma evolução linear culminando necessariamente em Morin. Cada autor formula problemas próprios dentro de contextos intelectuais distintos. Sua função é mostrar diferentes maneiras pelas quais o sujeito deixa progressivamente de poder ser concebido como entidade simples e isolada.
Morin acrescenta uma dimensão decisiva: o sujeito que conhece precisa incluir no conhecimento as condições que produzem seu próprio conhecimento. A epistemologia torna-se, assim, epistemologia complexa e reflexiva: conhecimento do conhecimento.
Considerações finais
O percurso de Hegel a Husserl evidencia duas transformações fundamentais da concepção moderna do sujeito. Hegel introduz a historicidade da consciência. O sujeito não está pronto antes da experiência: forma-se mediante ela. Consciência e objeto transformam-se no próprio processo do conhecimento, e a contradição pode adquirir função produtiva.
Husserl introduz outra transformação fundamental ao fazer da intencionalidade uma estrutura central da consciência. A consciência não constitui uma substância isolada que posteriormente procura alcançar o mundo; é sempre consciência de algo. A fenomenologia desloca a investigação para os modos mediante os quais os fenômenos se dão e adquirem sentido na experiência.
Vista a partir do pensamento complexo, a trajetória iniciada no artigo anterior permite identificar uma progressiva problematização da separação sujeito–objeto. Descartes separa ontologicamente. Kant organiza transcendentalmente. Hegel historiciza e dialetiza.Husserl correlaciona intencionalmente. Morin religa complexamente.
Essa síntese, contudo, não deve ser transformada numa narrativa de progresso linear. O paradigma da complexidade não simplesmente substitui essas filosofias. Ele permite recontextualizá-las, conservando problemas e contribuições enquanto modifica o quadro epistemológico no qual podem ser compreendidos.
De Hegel, o pensamento complexo pode conservar a historicidade, o processo, a transformação e a fecundidade das contradições, sem necessariamente assumir a orientação totalizante de sua dialética. De Husserl, pode conservar a reflexividade, a intencionalidade e a crítica ao realismo ingênuo, sem restringir o sujeito à subjetividade transcendental.
Morin introduz, sobretudo, a necessidade de reintegrar o sujeito cognoscente no próprio mundo que ele conhece. O sujeito é simultaneamente produto e produtor: emerge de processos físicos, biológicos e antropológicos; é formado pela sociedade e pela cultura; participa da produção e transformação dessas mesmas realidades.
Nesse sentido, a passagem do paradigma da simplificação ao paradigma da complexidade não significa abandonar as contribuições de Descartes, Kant, Hegel e Husserl. Significa religá-las dentro de uma epistemologia capaz de reconhecer que o conhecimento depende simultaneamente de distinção e relação, análise e síntese, objetividade e reflexividade, autonomia e dependência, consciência e mundo.
Os dois artigos permitem, assim, formular uma hipótese mais abrangente: a história moderna da epistemologia e da fenomenologia pode ser lida, sem reduzi-la a uma evolução linear, como um progressivo enfrentamento do problema da separação entre sujeito e objeto. O pensamento complexo acrescenta a esse percurso uma exigência radical: conhecer o mundo implica conhecer, tanto quanto possível, o sujeito e as condições mediante as quais esse próprio conhecimento se organiza.
Referências
(1) HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. System der Wissenschaft. Erster Theil: Die Phänomenologie des Geistes. Bamberg und Würzburg: Joseph Anton Goebhardt, 1807.
(2) HUSSERL, Edmund. Logische Untersuchungen. Erster Theil: Prolegomena zur reinen Logik. Halle a. S.: Max Niemeyer, 1900; Zweiter Theil: Untersuchungen zur Phänomenologie und Theorie der Erkenntnis. Halle a. S.: Max Niemeyer, 1901.
(3) HUSSERL, Edmund. Ideen zu einer reinen Phänomenologie und phänomenologischen Philosophie. Erstes Buch: Allgemeine Einführung in die reine Phänomenologie. Halle a. d. S.: Max Niemeyer, 1913.
(4) MORIN, Edgar. La Méthode 3. La connaissance de la connaissance. 1. Anthropologie de la connaissance. Paris: Éditions du Seuil, 1986.
(5) MORIN, Edgar. La Méthode 4. Les idées: leur habitat, leur vie, leurs mœurs, leur organisation. Paris: Éditions du Seuil, 1991.
P.S.: Usei a IA GPT 5-6 Sol para buscar informações e elaborar as ilustrações do texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.



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