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Da crise de 2008 aos tarifaços de Trump: economia política, resiliência e democracia no Brasil

10 de out.
22 min de leitura

Objetivo

Analisar comparativamente as condições econômicas, políticas e institucionais que contribuíram para a capacidade brasileira de enfrentar a crise financeira internacional de 2008–2009 e as políticas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos em 2025–2026, durante o governo de Donald Trump. Busca-se compreender como as políticas econômicas, a diversificação das relações comerciais, a administração pública, a inovação tecnológica, os programas sociais e a participação democrática podem contribuir para a resiliência de países de renda média, como o Brasil, considerando os condicionantes internacionais, as decisões governamentais e as contradições estruturais do desenvolvimento.


Resumo

A avaliação de políticas econômicas frequentemente subestima a influência dos fatores internacionais sobre o desempenho dos governos nacionais. Essa limitação é particularmente problemática em países de renda média, cujas economias estão expostas às oscilações financeiras, comerciais, tecnológicas e geopolíticas internacionais. O artigo examina comparativamente dois momentos históricos: a crise financeira iniciada nos Estados Unidos em 2007–2008, que atingiu o Brasil durante o segundo governo Lula, e a intensificação do protecionismo comercial norte-americano em 2025–2026, durante o terceiro governo Lula. Argumenta-se que a capacidade brasileira de enfrentar esses choques não pode ser explicada exclusivamente por indicadores fiscais ou decisões conjunturais. No primeiro período, a acumulação de reservas internacionais, a redução da vulnerabilidade cambial, a expansão do mercado interno e as políticas sociais contribuíram para a capacidade de resposta à crise. No segundo, a diversificação dos mercados de exportação, a diplomacia comercial e a política industrial constituem dimensões relevantes da estratégia brasileira. Inspirado na economia política internacional, no paradigma da complexidade de Edgar Morin e na crítica à racionalidade instrumental de Alberto Guerreiro Ramos, o artigo propõe compreender a resiliência como fenômeno econômico, institucional, social e democrático. Conclui que a sustentabilidade da resiliência depende da articulação entre capacidades estatais, inovação tecnológica, diversificação produtiva, justiça social e participação democrática.



1. Introdução


A avaliação do desempenho econômico de governos nacionais costuma privilegiar indicadores como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação, desemprego, dívida pública, déficit fiscal e superávit comercial. Embora indispensáveis, esses indicadores tornam-se insuficientes quando interpretados isoladamente, sem considerar as relações de interdependência entre as economias nacionais e o sistema econômico internacional. Um governo pode apresentar resultados favoráveis em uma conjuntura de expansão mundial e enfrentar dificuldades em um período de crise internacional, mesmo mantendo políticas relativamente semelhantes. Inversamente, políticas nacionais consistentes podem reduzir vulnerabilidades históricas e ampliar a capacidade de resistência a choques externos.


Essa questão é especialmente relevante para países de renda média, como o Brasil. Sua inserção internacional combina características de uma economia industrializada e diversificada com dependências estruturais relacionadas aos fluxos financeiros, às tecnologias avançadas, aos mercados consumidores externos e aos preços internacionais de produtos primários. A autonomia das decisões nacionais é, portanto, condicionada por processos que ultrapassam as fronteiras do Estado, mas não desaparece diante deles.


A comparação entre a crise financeira de 2008 e os tarifaços norte-americanos de 2025–2026 oferece uma oportunidade para investigar essas relações. Durante os dois primeiros governos Lula, o Brasil ampliou suas reservas internacionais, reduziu determinadas vulnerabilidades financeiras e fortaleceu o mercado interno. Essas transformações contribuíram para que o país enfrentasse a crise de 2008–2009 sem reproduzir integralmente os padrões de instabilidade observados em crises anteriores. No terceiro governo Lula, a intensificação das disputas comerciais internacionais e o retorno do protecionismo norte-americano recolocaram a questão da autonomia econômica brasileira, agora em um contexto de diversificação de mercados, reorganização das cadeias produtivas e disputas geopolíticas.


A análise desenvolvida neste artigo parte da hipótese de que a resiliência econômica não resulta exclusivamente da estabilidade fiscal ou da capacidade de adaptação dos mercados. Ela depende também de capacidades estatais, políticas de desenvolvimento, inovação tecnológica, proteção social e instituições democráticas capazes de articular interesses e conhecimentos provenientes de diferentes setores da sociedade.


O texto está organizado em sete seções, além desta introdução. Inicialmente, discute-se a importância dos condicionantes internacionais na avaliação das políticas econômicas. Em seguida, examinam-se as condições construídas durante o primeiro governo Lula e sua relevância para a resposta à crise de 2008. A terceira parte analisa a recuperação brasileira entre 2009 e 2010. A quarta aborda os tarifaços de Trump e a diversificação comercial no governo Lula 3. A quinta discute os limites da abertura comercial sem transformação produtiva. A sexta desenvolve uma concepção multidimensional de resiliência, articulando administração pública, inovação e participação democrática. Finalmente, a sétima seção apresenta uma interpretação fundamentada no paradigma da complexidade e na crítica à racionalidade instrumental, preparando as considerações finais.


2. Os condicionantes internacionais e os limites das avaliações econômicas nacionais


Uma das limitações mais frequentes das análises econômicas consiste em atribuir aos governos nacionais uma responsabilidade quase exclusiva pelos resultados observados durante seus mandatos. Essa interpretação tende a desconsiderar que as economias contemporâneas constituem sistemas interdependentes, nos quais decisões tomadas pelas grandes potências, instituições financeiras, empresas transnacionais e organismos multilaterais produzem consequências que ultrapassam amplamente suas fronteiras.


A economia política internacional oferece instrumentos para compreender essas relações. Susan Strange (1), ao examinar o poder estrutural na economia mundial, demonstrou que o controle sobre as finanças, a produção, a segurança e o conhecimento constitui uma dimensão fundamental das relações internacionais. A capacidade de determinados Estados e organizações de estabelecer as condições em que outros agentes econômicos operam representa uma forma de poder que não se reduz às relações diplomáticas tradicionais.


Essa perspectiva ajuda a compreender por que as decisões do Federal Reserve, as oscilações dos mercados financeiros norte-americanos, as estratégias comerciais chinesas e as políticas protecionistas dos Estados Unidos podem produzir efeitos profundos sobre a economia brasileira, independentemente das preferências de seu governo.


O problema se torna particularmente relevante em países de renda média. Embora disponham de instituições econômicas relativamente complexas e de setores produtivos diversificados, esses países frequentemente enfrentam restrições relacionadas à disponibilidade de financiamento internacional, à dependência tecnológica, à concentração de exportações em determinados produtos e à volatilidade dos investimentos estrangeiros.


Dani Rodrik (2) contribui para esse debate ao demonstrar que a globalização econômica envolve tensões entre integração internacional, soberania nacional e democracia. Sua análise questiona a suposição de que a ampliação irrestrita dos mercados internacionais seja necessariamente compatível com a autonomia das decisões democráticas. As sociedades precisam preservar espaços institucionais para definir suas próprias estratégias de desenvolvimento.


Desse modo, a avaliação de uma política econômica exige considerar simultaneamente as condições internacionais herdadas, as vulnerabilidades estruturais da economia nacional e a capacidade do governo de formular respostas adequadas. Não basta verificar se determinado indicador melhorou ou piorou durante um mandato. É necessário investigar quais fatores produziram esse resultado, quais estavam sob controle das autoridades nacionais e quais dependeram de circunstâncias externas.


Isso não implica absolver governos de suas responsabilidades. Ao contrário, permite avaliá-los com maior rigor, distinguindo a influência das conjunturas internacionais da capacidade de antecipação, prevenção, adaptação e transformação das estruturas econômicas nacionais.


3. O primeiro governo Lula e a construção das condições de resistência à crise de 2008


Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, em janeiro de 2003, o Brasil apresentava vulnerabilidades econômicas importantes. A instabilidade cambial de 2002, a exposição às oscilações dos fluxos financeiros internacionais, o elevado endividamento público e a necessidade de preservar a confiança dos credores condicionavam significativamente as possibilidades de política econômica. O país ainda carregava consequências das crises financeiras internacionais da década de 1990 e do início dos anos 2000, que haviam demonstrado a fragilidade das economias dependentes de capitais externos diante de mudanças nas condições financeiras mundiais.


O primeiro governo Lula adotou inicialmente uma política macroeconômica caracterizada pela manutenção das metas de inflação, do câmbio flutuante e de elevados superávits primários. Essa orientação representou uma continuidade em relação ao governo anterior e foi objeto de críticas, especialmente em razão das taxas de juros elevadas e das restrições impostas aos investimentos públicos. Entretanto, a trajetória econômica do período não pode ser reduzida a essa continuidade, pois outras políticas e transformações econômicas contribuíram para modificar gradualmente as condições de desenvolvimento e a posição internacional do Brasil.


A expansão da economia mundial, o crescimento da demanda chinesa e a valorização internacional das commodities, como soja, minério de ferro e petróleo, favoreceram as exportações brasileiras. Essa conjuntura internacional criou oportunidades importantes, mas seus benefícios não foram automáticos nem distribuídos igualmente entre os setores produtivos e os grupos sociais. Paralelamente, o governo promoveu políticas de ampliação do mercado interno, valorização real do salário mínimo, expansão do crédito e transferência de renda, com destaque para o Programa Bolsa Família. A combinação entre oportunidades internacionais e políticas domésticas contribuiu para ampliar o consumo, estimular atividades produtivas e reduzir determinadas formas de vulnerabilidade social.


A interação entre essas condições internacionais e as decisões de política econômica também contribuiu para melhorar a posição externa brasileira. As reservas internacionais, constituídas principalmente por ativos financeiros em moedas estrangeiras administrados pelo Banco Central, passaram de aproximadamente US$ 38 bilhões ao final de 2002 para cerca de US$ 180 bilhões ao final de 2007, ultrapassando US$ 288 bilhões em dezembro de 2010, segundo as séries históricas do Banco Central (3). Essas reservas funcionam como uma proteção diante de dificuldades internacionais, pois permitem ao país dispor de recursos em moeda estrangeira para enfrentar situações de escassez de financiamento externo, instabilidade cambial e outras perturbações financeiras.


A acumulação de reservas foi acompanhada por mudanças na composição da dívida pública e pela redução da exposição do setor público às oscilações cambiais. Isso significou uma transformação importante em relação a crises anteriores, quando a desvalorização do real podia ampliar rapidamente o valor das dívidas denominadas em moedas estrangeiras. A redução dessa vulnerabilidade não eliminou a dependência brasileira em relação ao sistema financeiro internacional, mas ampliou a capacidade das autoridades econômicas de responder a situações de instabilidade.


Também merece destaque a política fiscal, isto é, a maneira como o poder público administra suas receitas, provenientes principalmente da arrecadação de impostos e contribuições, e suas despesas, relacionadas ao funcionamento dos serviços públicos, aos investimentos, aos programas sociais e a outras responsabilidades governamentais. Quando as receitas superam as despesas consideradas, ocorre um superávit, ou seja, um resultado positivo nas contas públicas. Quando as despesas são superiores às receitas, ocorre um déficit, isto é, um resultado negativo. Entretanto, existem diferentes maneiras de calcular esses resultados, sendo especialmente importante distinguir o resultado primário do resultado nominal.


O superávit primário ocorre quando as receitas públicas são superiores às despesas, sem considerar os juros da dívida pública. Isso significa que o governo arrecadou recursos suficientes para financiar suas despesas primárias, como educação, saúde, previdência, programas sociais, investimentos e manutenção dos serviços públicos, restando ainda um saldo positivo. O déficit primário, inversamente, ocorre quando essas despesas superam as receitas disponíveis, antes de considerar os juros da dívida.


O resultado nominal, por sua vez, incorpora também os juros da dívida pública. Por isso, um governo pode apresentar superávit primário e, ao mesmo tempo, déficit nominal. Isso acontece quando o saldo positivo obtido antes dos juros não é suficiente para cobrir os encargos financeiros da dívida. Para ilustrar, imaginemos que o setor público arrecade R$ 100 bilhões e realize R$ 95 bilhões em despesas primárias. Nesse caso, terá um superávit primário de R$ 5 bilhões. Entretanto, se os juros da dívida representarem R$ 12 bilhões, o resultado nominal será um déficit de R$ 7 bilhões. Os valores são hipotéticos, mas permitem compreender por que os dois indicadores podem apresentar resultados aparentemente contraditórios.


Foi justamente essa a situação observada durante os governos Lula 1 e 2, entre 2003 e 2010. Ao longo dos oito anos, o setor público brasileiro apresentou superávits primários, demonstrando que suas receitas foram superiores às despesas calculadas antes dos juros. Entretanto, os elevados encargos financeiros da dívida pública, associados às taxas de juros praticadas na economia brasileira, foram suficientes para produzir déficits nominais. Isso significa que os resultados negativos das contas públicas não decorreram simplesmente de despesas com serviços públicos, investimentos ou programas sociais superiores à arrecadação. A compreensão dessa diferença é fundamental para evitar avaliações simplificadoras da política fiscal e reconhecer a importância das relações entre endividamento público, política monetária, taxas de juros e condições financeiras nacionais e internacionais.


Essa distinção também permite compreender que a política fiscal não pode ser analisada isoladamente da política monetária, isto é, das decisões relacionadas às taxas de juros, à oferta de moeda e às condições de crédito. No Brasil, a taxa básica de juros, conhecida como Selic, constitui uma referência importante para o custo do crédito e para a remuneração de parte da dívida pública. Embora a relação entre a Selic e o custo total da dívida não seja automática nem uniforme, taxas de juros persistentemente elevadas podem aumentar os encargos financeiros do setor público, mesmo quando suas receitas são superiores às despesas primárias. Por isso, uma análise rigorosa das contas públicas precisa considerar tanto as decisões fiscais quanto as condições monetárias e financeiras em que essas decisões são tomadas.


A trajetória econômica do primeiro governo Lula adquiriu relevância histórica adicional quando a crise financeira internacional se intensificou em 2008, durante o segundo mandato. As condições construídas nos anos anteriores, especialmente a acumulação de reservas internacionais, a redução da exposição cambial, a expansão do mercado interno e o fortalecimento de mecanismos de proteção social, contribuíram para ampliar a capacidade brasileira de enfrentar os efeitos da crise. Os superávits primários integraram esse conjunto de condições, embora não tenham eliminado os custos financeiros da dívida pública nem as contradições estruturais da economia nacional.


É necessário reconhecer, entretanto, que os resultados alcançados decorreram da interação entre decisões governamentais e circunstâncias internacionais favoráveis. A expansão da demanda mundial e o crescimento da economia chinesa contribuíram significativamente para a melhoria das contas externas brasileiras. Ao mesmo tempo, a administração das reservas, as políticas sociais e as decisões relacionadas ao financiamento público e à dívida nacional expressaram escolhas políticas que influenciaram a maneira como o país aproveitou essas oportunidades.


Nesse sentido, o êxito relativo da economia brasileira durante o primeiro governo Lula não deve ser compreendido apenas pelos indicadores de crescimento, inflação ou resultados fiscais observados entre 2003 e 2006. Sua importância histórica também reside nas condições econômicas e institucionais que contribuíram para reduzir a vulnerabilidade brasileira diante de uma crise internacional que ainda não havia ocorrido. Sem essas condições, é plausível que o Brasil tivesse enfrentado dificuldades financeiras, cambiais e sociais mais intensas após 2008, embora não seja possível determinar com precisão os resultados de uma trajetória histórica alternativa.


A experiência brasileira demonstra, portanto, que a capacidade de enfrentar crises internacionais não depende exclusivamente das medidas adotadas quando essas crises já estão em andamento. Ela resulta também de processos anteriores de construção de capacidades econômicas, institucionais e sociais. Essa interpretação permite compreender a resiliência não apenas como reação a acontecimentos adversos, mas como resultado histórico de políticas públicas, oportunidades internacionais e transformações estruturais que ampliam ou restringem a autonomia de uma sociedade diante das incertezas da economia mundial.


4. A crise financeira internacional de 2008 e a resposta brasileira


A crise financeira internacional teve suas origens na expansão do crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, na disseminação de ativos financeiros complexos e na fragilidade dos mecanismos de supervisão dos mercados. A falência do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, desencadeou uma ruptura de confiança que se propagou rapidamente pelo sistema financeiro internacional.


A crise atingiu instituições europeias e contribuiu para uma recessão mundial. Posteriormente, seus desdobramentos agravaram problemas de endividamento e instabilidade na zona do euro, especialmente a partir de 2010.


O Brasil foi atingido principalmente pela retração do crédito internacional, pela fuga de capitais, pela desvalorização cambial, pela queda da demanda externa e pela redução dos investimentos. A transmissão mais intensa ocorreu a partir do último trimestre de 2008.


A diferença em relação a crises anteriores estava nas condições econômicas existentes quando o choque ocorreu. A acumulação de reservas internacionais e a redução da vulnerabilidade cambial diminuíram os riscos de uma crise de financiamento externo semelhante às enfrentadas em outros momentos da história brasileira.


O governo também adotou medidas anticíclicas, utilizando instrumentos de política fiscal, monetária e creditícia. Os bancos públicos ampliaram sua atuação, o BNDES fortaleceu operações de financiamento, foram adotadas desonerações tributárias e procurou-se preservar o investimento e a demanda interna.


As políticas sociais também desempenharam papel relevante. A valorização do salário mínimo e os mecanismos de transferência de renda contribuíram para sustentar o consumo de parcelas expressivas da população. Essa dimensão evidencia que a proteção social não constitui necessariamente um obstáculo à estabilidade econômica; em determinadas circunstâncias, pode contribuir para amortecer os efeitos de crises sobre a atividade produtiva.


O PIB brasileiro apresentou pequena contração em 2009 e crescimento expressivo em 2010. A recuperação resultou da combinação entre políticas internas de estímulo, condições financeiras mais favoráveis e retomada da demanda internacional, inclusive chinesa.


É importante reconhecer, entretanto, que a recuperação não eliminou as contradições estruturais da economia brasileira. A dependência de commodities, os juros elevados, as dificuldades de competitividade industrial e os problemas de infraestrutura continuaram presentes.


A experiência de 2008–2010 demonstra, portanto, que a resiliência econômica não equivale à ausência de crise. Ela se manifesta na capacidade de reduzir os efeitos de um choque, preservar determinadas estruturas sociais e produtivas e criar condições para a recuperação.


5. Os tarifaços de Trump e a diversificação comercial no governo Lula 3


O retorno de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, intensificou uma orientação protecionista que já havia marcado seu primeiro mandato. A utilização de tarifas comerciais como instrumento de negociação econômica e geopolítica introduziu novas incertezas nas relações internacionais.


Embora o protecionismo norte-americano não tenha começado com Trump, suas políticas ampliaram o uso unilateral de barreiras comerciais, inclusive contra parceiros tradicionais dos Estados Unidos.


No caso brasileiro, as medidas tarifárias de 2025 e 2026 atingiram diferentes setores exportadores. Em agosto de 2025, o Brasil solicitou consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando tarifas norte-americanas que incluíam uma cobrança geral de 10% e uma sobretaxa adicional de 40% sobre determinados produtos. Em julho de 2026, uma nova controvérsia comercial envolveu sobretaxas adicionais de 25% e 12,5%, com efeitos acumulados sobre parte das exportações brasileiras (4).


As consequências econômicas dessas medidas foram diferenciadas. Determinados segmentos industriais, especialmente aqueles com maior dependência do mercado norte-americano, enfrentaram dificuldades adicionais. Outros setores permaneceram relativamente protegidos por exceções tarifárias ou encontraram oportunidades comerciais em diferentes mercados.


Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuíram 13% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A participação norte-americana nas exportações brasileiras passou de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026 (5).


Entretanto, a trajetória agregada das exportações brasileiras apresentou comportamento diferente. Entre janeiro e setembro de 2026, as vendas externas alcançaram US$ 284,65 bilhões, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. O superávit comercial atingiu US$ 62,40 bilhões. Nesse intervalo, as exportações para a China cresceram 12% e para a União Europeia, 20%, segundo o MDIC (6).


Esses resultados indicam que a retração das exportações destinadas aos Estados Unidos não impediu a expansão do comércio exterior brasileiro. A diversificação geográfica dos mercados constitui uma explicação relevante, embora seja necessário considerar também os preços internacionais, as quantidades exportadas, as mudanças na demanda externa e as condições específicas de cada setor.


A diplomacia comercial do governo Lula 3 procurou ampliar oportunidades em diferentes regiões, combinando negociações bilaterais, atuação no Mercosul, aproximação com países asiáticos, africanos e do Oriente Médio e fortalecimento de mecanismos multilaterais.


O acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), assinado em setembro de 2025, começou a entrar em vigor em outubro de 2026, inicialmente nas relações entre Brasil e Islândia. Sua implementação progressiva representa uma possibilidade adicional de diversificação comercial (7).


Convém distinguir, entretanto, a abertura de mercados, a assinatura de acordos comerciais e a efetivação de contratos de exportação. A abertura de um mercado cria condições jurídicas e sanitárias para novas operações, mas seus resultados econômicos dependem da capacidade das empresas de estabelecer relações comerciais duradouras.


A comparação com 2008 revela uma diferença significativa. Naquele momento, a vulnerabilidade brasileira estava fortemente relacionada ao sistema financeiro internacional. Em 2025–2026, o desafio envolve também o uso do poder comercial norte-americano como instrumento de pressão econômica e geopolítica.


Em ambos os casos, a capacidade de resistência depende de políticas construídas anteriormente ao agravamento dos conflitos. Entretanto, enquanto a acumulação de reservas foi particularmente importante para enfrentar a crise financeira, a diversificação de parceiros e a ampliação das possibilidades de inserção internacional assumem maior relevância diante das barreiras comerciais.


Essa experiência também recoloca a importância da autonomia diplomática. A preservação de relações comerciais com diferentes centros de poder, incluindo Estados Unidos, China, União Europeia e países do Sul Global, pode reduzir a dependência de decisões unilaterais de uma única potência.


Tal orientação não elimina os conflitos internacionais nem assegura resultados econômicos favoráveis em todas as circunstâncias. Contudo, amplia as alternativas disponíveis para a administração pública e para os setores produtivos nacionais.


6. Limites da abertura comercial: diversificação produtiva, inovação tecnológica e desenvolvimento


A ampliação dos mercados internacionais representa uma dimensão importante da resiliência econômica, mas não constitui, isoladamente, uma estratégia suficiente de desenvolvimento. Uma economia pode diversificar seus parceiros comerciais e, simultaneamente, aprofundar sua dependência de produtos primários, tecnologias importadas e cadeias produtivas controladas por empresas transnacionais.


Essa distinção é particularmente relevante para o Brasil. A expansão das exportações de soja, minério de ferro, petróleo e outros produtos básicos pode gerar divisas, fortalecer a balança comercial e ampliar a capacidade de financiamento da economia. Entretanto, quando não acompanhada de diversificação produtiva, pode preservar vulnerabilidades relacionadas à volatilidade dos preços internacionais, às mudanças tecnológicas e às decisões de grandes compradores.


A tradição estruturalista latino-americana, especialmente a contribuição de Celso Furtado (8), oferece elementos fundamentais para compreender esse problema. O desenvolvimento econômico não se confunde com a simples expansão da produção ou das exportações. Envolve transformações estruturais, incorporação de conhecimentos, ampliação da capacidade tecnológica e redução das desigualdades sociais e regionais.


Essa perspectiva permanece relevante diante da reorganização contemporânea da economia mundial. A disputa por semicondutores, inteligência artificial, minerais críticos, tecnologias energéticas e infraestrutura digital demonstra que a capacidade de produzir e controlar conhecimentos tecnológicos constitui uma dimensão estratégica do poder econômico internacional.


Mariana Mazzucato (9) também contribui para esse debate ao questionar a concepção segundo a qual o Estado deveria limitar-se à correção de falhas de mercado. Sua análise destaca o papel histórico das instituições públicas na criação de mercados, no financiamento de pesquisas e na promoção de inovações tecnológicas.


No governo Lula 3, a política Nova Indústria Brasil representa uma tentativa de recuperar instrumentos de planejamento e coordenação do desenvolvimento industrial. Sua relevância deve ser avaliada não apenas pelos recursos anunciados ou pelos investimentos contratados, mas pelos resultados efetivos na produtividade, na incorporação tecnológica, na geração de empregos qualificados e na sustentabilidade ambiental.


Há também uma dimensão ecológica incontornável. A expansão econômica baseada na intensificação da exploração de recursos naturais pode produzir resultados comerciais positivos no curto prazo e, simultaneamente, ampliar vulnerabilidades socioambientais. Eventos climáticos extremos, crises hídricas, degradação dos ecossistemas e conflitos territoriais podem comprometer a própria capacidade produtiva nacional.


Por isso, a resiliência precisa incorporar os limites ecológicos do desenvolvimento. A transição energética, a economia circular, a recuperação ambiental e a inovação tecnológica orientada à sustentabilidade não devem ser consideradas apenas políticas setoriais, mas componentes de uma estratégia de desenvolvimento capaz de enfrentar riscos internacionais e internos.


7. Administração pública, inovação e participação democrática: uma concepção multidimensional de resiliência


A comparação entre 2008 e 2026 permite ampliar o conceito de resiliência para além de sua utilização convencional na macroeconomia.


Em sentido restrito, uma economia resiliente seria aquela capaz de absorver choques, evitar desequilíbrios prolongados e recuperar seus níveis de produção e emprego. Entretanto, essa definição pode ocultar consequências sociais, políticas e ambientais relevantes. Uma economia pode recuperar o crescimento do PIB enquanto amplia desigualdades, precariza relações de trabalho, enfraquece instituições democráticas ou intensifica processos de degradação ambiental.


A resiliência precisa, portanto, ser compreendida como uma capacidade multidimensional, envolvendo condições econômicas, institucionais, tecnológicas, sociais, políticas e ecológicas.


Essa interpretação atribui importância central à administração pública. A capacidade de enfrentar crises internacionais depende da existência de instituições capazes de produzir informações confiáveis, formular estratégias de longo prazo, coordenar políticas públicas e estabelecer mecanismos transparentes de acompanhamento e avaliação.


Entretanto, a capacidade estatal não deve ser confundida com centralização burocrática. Governos podem dispor de recursos administrativos e tecnológicos significativos e, ainda assim, apresentar dificuldades para compreender problemas sociais complexos quando suas decisões permanecem concentradas em estruturas pouco permeáveis à participação da sociedade.


A administração pública democrática precisa combinar competência técnica, transparência, planejamento, inovação e abertura institucional ao diálogo com diferentes setores sociais.


A relação com o empresariado é indispensável, especialmente em políticas industriais, comerciais e tecnológicas. As empresas possuem conhecimentos sobre mercados, cadeias produtivas, investimentos e oportunidades de inovação que precisam ser considerados na formulação de políticas públicas. Entretanto, essa interlocução não deve resultar na captura das instituições estatais por interesses econômicos particulares.


A participação de trabalhadores, universidades, cooperativas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais contribui para ampliar a diversidade de conhecimentos e interesses considerados nas decisões públicas.


Nesse sentido, a experiência brasileira de participação social, incluindo conselhos de políticas públicas, conferências nacionais, fóruns territoriais e outras instâncias de diálogo, constitui um patrimônio institucional relevante, embora marcado por descontinuidades, conflitos e limitações.


A contribuição de Paulo Freire (10) permite aprofundar essa perspectiva. O diálogo não representa apenas um instrumento de comunicação entre governantes e governados, mas uma condição para a construção compartilhada do conhecimento e para a formação de sujeitos capazes de interpretar criticamente sua realidade.


Da mesma forma, a participação democrática não deve ser reduzida à legitimação posterior de decisões previamente estabelecidas. Sua relevância está na possibilidade de influenciar a identificação dos problemas, a definição das prioridades e a avaliação dos resultados.


Essa concepção também exige reconhecer o papel das tecnologias sociais e das organizações econômicas solidárias. Cooperativas, associações comunitárias e empreendimentos coletivos podem produzir conhecimentos e soluções relevantes para problemas econômicos, ambientais e sociais que não encontram respostas satisfatórias exclusivamente nas empresas convencionais ou nas estruturas burocráticas.


A articulação entre inovação tecnológica empresarial, inovação social e participação democrática amplia as possibilidades de uma administração pública orientada ao desenvolvimento sustentável.


Contudo, essa articulação não elimina conflitos. Empresários, trabalhadores, governos e organizações civis possuem interesses e perspectivas diferentes, frequentemente contraditórios. A qualidade democrática da administração pública depende de sua capacidade de reconhecer essas divergências, estabelecer mecanismos transparentes de negociação e impedir que as assimetrias de poder econômico determinem unilateralmente as políticas públicas.


Nesse sentido, a resiliência democrática não constitui um simples complemento da resiliência econômica. Ela pode representar uma condição fundamental para sua sustentabilidade histórica, ao ampliar a legitimidade das decisões, a circulação de conhecimentos e a capacidade coletiva de enfrentar situações de incerteza.


8. Complexidade, racionalidade substantiva e resiliência democrática


O paradigma da complexidade de Edgar Morin oferece fundamentos epistemológicos para compreender a interdependência entre economia, política, tecnologia, sociedade e ambiente natural.

Em O método, Morin (11) questiona as formas de conhecimento que fragmentam os fenômenos e procuram explicá-los mediante relações lineares e unidimensionais. A compreensão de sistemas complexos exige reconhecer interações, retroações, antagonismos, complementaridades e processos de emergência.


Aplicada à economia política internacional, essa perspectiva permite superar a separação rígida entre fatores externos e internos. As condições internacionais influenciam as decisões nacionais, mas essas decisões também modificam as formas de inserção de um país no sistema mundial. A vulnerabilidade externa não é apenas uma característica herdada; ela é continuamente reproduzida, reduzida ou transformada pelas relações entre políticas públicas, estruturas produtivas, instituições e mercados.


A crise de 2008 demonstra essa dinâmica. A expansão econômica internacional anterior à crise favoreceu a economia brasileira, mas as decisões nacionais relacionadas às reservas cambiais, à administração da dívida pública e ao fortalecimento do mercado interno contribuíram para modificar as condições de enfrentamento do choque externo.


A situação de 2025–2026 apresenta uma configuração diferente. As medidas protecionistas norte-americanas restringiram oportunidades comerciais para determinados setores brasileiros, enquanto a diversificação dos mercados internacionais contribuiu para preservar a expansão agregada das exportações. Entretanto, a efetividade de longo prazo dessa estratégia depende de transformações produtivas, tecnológicas, sociais e institucionais que não podem ser avaliadas exclusivamente pelos resultados comerciais imediatos.


A contribuição de Alberto Guerreiro Ramos (12) permite acrescentar uma dimensão crítica à análise. Sua distinção entre racionalidade instrumental e racionalidade substantiva questiona a redução das organizações e da administração pública aos critérios de eficiência econômica.


Em A nova ciência das organizações, Guerreiro Ramos argumenta que a sociedade centrada no mercado tende a subordinar diferentes esferas da vida humana à lógica instrumental. Essa crítica é particularmente relevante quando a resiliência econômica é definida exclusivamente como capacidade de preservar a competitividade empresarial, a rentabilidade financeira ou o crescimento do PIB.


Uma perspectiva substantiva exige perguntar quais interesses são protegidos pelas políticas econômicas, quais grupos sociais suportam os custos das crises e em que medida as decisões públicas ampliam ou restringem as possibilidades de autonomia individual e coletiva.


A contribuição de Guerreiro Ramos também permite compreender as organizações como espaços de produção e condicionamento do conhecimento. Suas estruturas, valores, normas e práticas influenciam as maneiras pelas quais os indivíduos interpretam os problemas e identificam alternativas de ação.


Assim, uma administração pública excessivamente subordinada à racionalidade mercadocêntrica tende a privilegiar determinados indicadores e soluções, podendo marginalizar conhecimentos produzidos por organizações comunitárias, movimentos sociais, cooperativas e instituições científicas independentes.


Essa crítica não implica desconsiderar a importância dos mercados ou das empresas. Significa reconhecer que o desenvolvimento econômico e a resiliência social dependem de uma pluralidade de racionalidades, instituições e formas organizacionais.


A articulação entre Morin e Guerreiro Ramos permite, portanto, formular uma concepção de resiliência que ultrapassa a adaptação funcional aos choques externos. Trata-se de compreender a capacidade de uma sociedade de aprender com as crises, reorganizar suas instituições, enfrentar desigualdades, ampliar a participação democrática e transformar estruturas que reproduzem vulnerabilidades.


Essa concepção também permite distinguir adaptação de transformação. Uma economia pode adaptar-se a uma crise comercial redirecionando exportações para outros países, sem modificar sua dependência de produtos primários. Uma sociedade pode recuperar seus indicadores macroeconômicos sem enfrentar as desigualdades que ampliam a vulnerabilidade de determinados grupos.


A resiliência orientada pelo desenvolvimento democrático e sustentável exige mais do que recuperação. Pressupõe capacidade de aprendizagem institucional, transformação produtiva e ampliação das possibilidades de participação social.


9. Considerações finais


A comparação entre a crise financeira internacional de 2008 e os tarifaços norte-americanos de 2025–2026 evidencia a importância dos condicionantes externos para a compreensão das políticas econômicas nacionais. Em países de renda média, como o Brasil, as decisões das grandes potências, as oscilações dos mercados financeiros e as transformações do comércio internacional podem produzir efeitos que ultrapassam amplamente a capacidade imediata de controle dos governos.


Entretanto, reconhecer essa interdependência não significa negar a relevância das decisões nacionais. Ao contrário, permite compreender que a capacidade de enfrentar crises depende, em parte, de políticas e instituições construídas anteriormente aos momentos de instabilidade.


Durante o primeiro governo Lula, a combinação entre condições internacionais favoráveis, acumulação de reservas, redução da vulnerabilidade cambial, expansão do mercado interno e políticas sociais contribuiu para modificar a posição econômica brasileira. Essas transformações adquiriram importância histórica quando a crise financeira internacional atingiu o país, sobretudo a partir do final de 2008.


A resposta brasileira à crise demonstrou a relevância da atuação estatal, dos instrumentos públicos de crédito e das políticas de sustentação da demanda interna. A recuperação econômica de 2010 não eliminou os problemas estruturais do desenvolvimento brasileiro, mas evidenciou a importância das capacidades econômicas e institucionais acumuladas anteriormente.


No governo Lula 3, o desafio internacional assumiu características diferentes. A intensificação do protecionismo norte-americano introduziu restrições comerciais que atingiram setores exportadores brasileiros. A diversificação dos mercados, a diplomacia comercial e a ampliação das oportunidades de exportação contribuíram para reduzir a dependência relativa do mercado dos Estados Unidos, embora seus resultados devam ser analisados considerando as mudanças nos preços internacionais, na demanda externa e na composição das exportações.


A expansão do comércio exterior brasileiro em 2026, apesar das restrições norte-americanas, constitui evidência relevante de capacidade de adaptação. Entretanto, a sustentabilidade dessa resiliência depende de transformações mais profundas na estrutura produtiva, na capacidade tecnológica, na organização institucional e nas relações entre Estado e sociedade.


A principal conclusão deste artigo é que a resiliência de uma economia nacional não pode ser compreendida exclusivamente por sua capacidade de preservar indicadores macroeconômicos favoráveis diante de crises internacionais. Ela depende também da qualidade da administração pública, da capacidade de inovação, da diversificação produtiva, da proteção social, da sustentabilidade ambiental e da abertura democrática.


A administração pública desempenha papel decisivo nesse processo quando combina transparência, competência técnica e diálogo com o empresariado com mecanismos efetivos de participação popular e reconhecimento dos conhecimentos produzidos pela sociedade civil.


A perspectiva da complexidade contribui para compreender essas dimensões como processos interdependentes, enquanto a crítica à racionalidade instrumental permite questionar concepções de desenvolvimento subordinadas exclusivamente à lógica mercadocêntrica.


A experiência brasileira entre 2003 e 2026 sugere, assim, uma hipótese histórica relevante: a capacidade de enfrentar crises internacionais tende a ser fortalecida quando políticas macroeconômicas, estratégias de desenvolvimento, inovação tecnológica e proteção social são articuladas por instituições públicas capazes de aprender, coordenar interesses e responder democraticamente às transformações da sociedade.


A construção dessa capacidade permanece incompleta e contraditória. Sua continuidade depende não apenas dos resultados de um governo, mas da consolidação de instituições e políticas públicas que ultrapassem os ciclos eleitorais e contribuam para ampliar a autonomia econômica, a justiça social e a sustentabilidade democrática.


Referências

(1) STRANGE, Susan. States and markets. 2. ed. London: Pinter Publishers, 1994.

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(4) ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC). United States — Tariff Measures on Goods from Brazil (DS640). Genebra: OMC, 2025. Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/cases_e/ds640_e.htm. Acesso em: 10 out. 2026. Ver também a controvérsia DS646, iniciada em julho de 2026.

(5) BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Alcance das medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. Brasília: MDIC, 24 jul. 2026. Disponível em: MDIC. Acesso em: 10 out. 2026.

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(7) BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Acordo Mercosul–EFTA entra em vigor; MDIC lança painel para ampliar acesso às novas oportunidades. Brasília: MDIC, 24 set. 2026. Disponível em: MDIC. Acesso em: 10 out. 2026.

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(9) MAZZUCATO, Mariana. O Estado empreendedor: desmascarando o mito do setor público vs. setor privado. São Paulo: Portfolio-Penguin, 2014.

(10) FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

(11) MORIN, Edgar. O método 1: a natureza da natureza. Porto Alegre: Sulina, 2002.

(12) GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Florianópolis: Enunciado Publicações, 2022.


P.S.: Usei a IA GPT 5.6 Sol na busca e organização das informações, e na elaboração da ilustração para o texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.

 

 
 
 

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