Entre a integração e a complexidade: Ken Wilber e González Rey na psicologia
Objetivo
Comparar as contribuições de Ken Wilber e Fernando González Rey para a superação da fragmentação e do reducionismo na psicologia, tomando o paradigma da complexidade de Edgar Morin como principal referência epistemológica. Busca-se examinar convergências e diferenças entre a perspectiva integral-holárquica de Wilber e a perspectiva histórico-configuracional da Teoria da Subjetividade de González Rey, particularmente quanto às relações entre parte e todo, indivíduo e sociedade, interioridade e exterioridade, desenvolvimento e emergência, universalidade e singularidade, bem como suas implicações epistemológicas e metodológicas.
Resumo
A fragmentação da psicologia em escolas, objetos e métodos frequentemente incomunicáveis produziu diferentes projetos de integração e reconstrução teórica. Este ensaio compara duas respostas relevantes a esse problema: a perspectiva integral de Ken Wilber e a Teoria da Subjetividade de Fernando González Rey, utilizando como referência o paradigma da complexidade de Edgar Morin. Wilber procura construir uma cartografia multidimensional capaz de articular interior e exterior, indivíduo e coletividade, desenvolvimento psicológico, cultura, sociedade e espiritualidade. Sua concepção de hólons e holarquias combate diferentes formas de reducionismo, mas conserva uma orientação evolutiva baseada em níveis de crescente diferenciação e integração. González Rey, por sua vez, concebe a subjetividade como sistema simbólico-emocional, histórico, cultural, configuracional e em permanente produção, atribuindo centralidade à singularidade, à emergência, à contradição e à relação recursiva entre subjetividade individual e social. A leitura de Albertina Mitjáns Martínez permite compreender essa teoria como expressão do paradigma da complexidade no interior da psicologia. Argumenta-se que Wilber e González Rey não devem ser contrapostos como integração versus complexidade: ambos enfrentam o reducionismo, porém o fazem mediante estratégias distintas — uma integral-holárquica, outra histórico-configuracional. O diálogo com Morin permite reconhecer convergências e, simultaneamente, problematizar as tensões entre universalidade e singularidade, holarquia e configuração, desenvolvimento e emergência.

Introdução
A história da psicologia pode ser lida, em boa medida, como a história de sucessivas disputas acerca daquilo que constitui propriamente o psicológico. Comportamento, inconsciente, cognição, personalidade, afetividade, linguagem, cultura, relações sociais e experiência subjetiva foram transformados, em diferentes tradições, em objetos privilegiados. O resultado dessa diversidade foi intelectualmente fecundo, mas também contribuiu para uma considerável fragmentação disciplinar. A especialização tornou possível conhecer mais detalhadamente determinadas dimensões do humano ao preço, muitas vezes, de separá-las das demais.
Edgar Morin identifica nessa fragmentação uma expressão de um problema epistemológico mais amplo. O paradigma da simplificação opera mediante disjunções, reduções e abstrações que tornam invisíveis as relações constitutivas dos fenômenos. Pensar complexamente não significa eliminar distinções, mas distinguir sem separar e associar sem reduzir (fundir), reconhecendo simultaneamente organização, desorganização, emergência, recursividade, contradição e incerteza (1).
É nesse horizonte que a comparação entre Ken Wilber e Fernando González Rey se torna particularmente fecunda. Ambos rejeitam concepções reducionistas do ser humano, mas seus projetos teóricos são substancialmente diferentes.
Wilber desenvolveu uma proposta de extraordinária abrangência, procurando integrar contribuições da psicologia do desenvolvimento, psicanálise, psicologia humanista e transpessoal, filosofia, sociologia, biologia, teoria dos sistemas e tradições contemplativas. Já em O Projeto Atman, o desenvolvimento é pensado como movimento de diferenciação, integração e transcendência (2). Em Sex, Ecology, Spirituality, essa concepção assume uma arquitetura mais abrangente mediante as categorias de hólon, holarquia e as dimensões interior/exterior e individual/coletivo (3).
González Rey percorre outro caminho. Partindo criticamente da psicologia histórico-cultural, desenvolve uma Teoria da Subjetividade que procura superar dicotomias como individual/social, cognitivo/afetivo e interno/externo. Albertina Mitjáns Martínez sustenta que essa construção pode ser compreendida como expressão do paradigma da complexidade na psicologia (4). Importa observar que essa convergência não significa derivação direta de Morin: Martínez destaca as raízes dialéticas e histórico-culturais do pensamento de González Rey, particularmente sua interlocução com Vygotsky.
O argumento será desenvolvido em cinco movimentos. Inicialmente, examinaremos a tentativa wilberiana de superar a fragmentação mediante uma perspectiva integral. Em seguida, abordaremos a Teoria da Subjetividade de González Rey e sua relação com a complexidade. Na terceira seção, serão examinadas as convergências entre os dois autores. A quarta discutirá suas diferenças fundamentais, especialmente as tensões entre holarquia e configuração e entre universalidade e singularidade. Finalmente, utilizaremos Morin não como árbitro destinado a escolher um vencedor, mas como referência para perguntar o que cada teoria oferece — e quais problemas deixa em aberto — para uma psicologia da complexidade.
1. Wilber: da psicologia transpessoal à perspectiva integral
A contribuição inicial de Wilber está associada à tentativa de ampliar o horizonte da psicologia para além dos limites impostos pelas escolas predominantes. Em O Projeto Atman, o desenvolvimento humano é apresentado como processo multidimensional no qual diferenciação, integração e transcendência estão relacionadas. O psiquismo não constitui uma entidade simples, mas uma organização estratificada de totalidades progressivamente abrangentes.
Essa orientação amadurece em Sex, Ecology, Spirituality. A categoria de hólon, retomada de Arthur Koestler, designa algo que é simultaneamente todo e parte: uma totalidade relativamente autônoma que, ao mesmo tempo, participa de totalidades mais abrangentes. Os hólons organizam-se em holarquias, termo que Wilber utiliza para diferenciar hierarquias de integração das hierarquias entendidas simplesmente como dominação (3).
O ponto é importante porque a holarquia wilberiana não significa mera ordenação vertical. Em cada nível pode existir heterarquia, enquanto a emergência de uma organização mais abrangente produz capacidades que não estavam disponíveis no nível precedente. O novo hólon preserva determinadas capacidades anteriores e acrescenta outras; é nesse sentido específico que Wilber emprega expressões como “mais alto” e “mais profundo”.
Outra contribuição decisiva é a distinção entre interior/exterior e individual/coletivo. Da combinação dessas dimensões resultam quatro domínios: experiência subjetiva individual, comportamento e organismo, cultura/intersubjetividade e sistemas sociais. Nenhum deles pode ser adequadamente compreendido mediante sua redução aos demais.
Essa concepção representa uma crítica vigorosa ao reducionismo. Wilber argumenta que um pensamento possui aspectos intencionais, comportamentais, culturais e sociais correlacionados e interdependentes, mas não redutíveis uns aos outros.
Portanto, seria inadequado caracterizar sua teoria simplesmente como classificatória ou linear. Seu projeto pretende justamente preservar dimensões heterogêneas da realidade que diferentes tradições teóricas tendem a absolutizar separadamente.
2. González Rey: subjetividade, história e configuração
O percurso de González Rey apresenta outra estratégia de enfrentamento da fragmentação. Em vez de construir uma metacartografia destinada a situar diferentes teorias, ele procura reconstruir teoricamente o próprio objeto da psicologia.
A subjetividade não é concebida como mundo interior separado da realidade social. Tampouco corresponde a um conjunto de conteúdos psicológicos armazenados no indivíduo. Ela constitui um sistema complexo, simbólico-emocional, histórico e cultural, permanentemente produzido nas relações entre sujeitos e espaços sociais (5).
Mitjáns Martínez enfatiza que reconhecer verbalmente a complexidade do psicológico não é suficiente. Uma teoria pode proclamar que seu objeto é complexo e continuar trabalhando com categorias que o fragmentam e simplificam. A complexidade precisa manifestar-se no próprio sistema categorial empregado para produzir inteligibilidade sobre o fenômeno.
É nesse sentido que categorias como sentido subjetivo e configuração subjetiva adquirem importância. Uma configuração não corresponde à soma dos elementos que participam dela. Constitui uma organização dinâmica cuja qualidade emerge das relações estabelecidas entre processos simbólicos, emocionais, históricos e relacionais.
Daí decorre também a centralidade da singularidade. A singularidade não constitui desvio acidental em relação a uma lei universal que deveria explicar o indivíduo. Pode ser fonte legítima de produção de conhecimento. Essa concepção terá consequências metodológicas profundas.
3. González Rey e o paradigma da complexidade
O capítulo de Mitjáns Martínez oferece uma chave particularmente fecunda para essa discussão. Sua tese é que a Teoria da Subjetividade constitui uma forma pela qual o paradigma da complexidade se expressa em uma ciência particular — a psicologia (4).
A autora toma como referência a crítica moriniana aos pilares do pensamento simplificador: ordem, separação, redução e absolutização da lógica dedutivo-identitária. A Teoria da Subjetividade desestabiliza esses pilares ao reconhecer irregularidade, historicidade, contradição, emergência e impossibilidade de estabelecer relações causais lineares entre acontecimentos e configurações subjetivas.
Um aspecto especialmente relevante é a recursividade. Martínez recupera a tradição vygotskiana para mostrar como causa e consequência podem trocar de posição e como formações psicológicas produzidas por determinados processos podem retroagir sobre os processos que participaram de sua produção. Ela aproxima explicitamente esse mecanismo da recursividade posteriormente formulada no pensamento complexo.
Essa perspectiva permite superar duas alternativas igualmente reducionistas. O indivíduo não pode ser explicado como simples produto da sociedade, mas a subjetividade também não pode ser concebida como propriedade privada de um indivíduo isolado. Temos, em termos simplificados: subjetividade individual ⇄ subjetividade social.
A relação é constitutiva, mas não determinista. O sujeito é produzido em relações sociais e culturais e simultaneamente participa da produção de novos sentidos, relações e espaços sociais.
4. Duas formas de enfrentar o reducionismo
Nesse ponto surge uma convergência importante entre Wilber e González Rey. Ambos recusam a separação rígida entre indivíduo e sociedade e rejeitam a redução do psicológico a uma única dimensão.
Wilber afirma que os hólons individuais e sociais apresentam dimensões interiores e exteriores intimamente relacionadas, mas irredutíveis entre si. Sua crítica ao que denomina “reducionismo sutil” é particularmente interessante: mesmo teorias sistêmicas e holísticas podem permanecer reducionistas quando reconhecem relações entre elementos, mas transformam significado, valor, consciência e interioridade em funções de sistemas exteriores.
Esse argumento aproxima Wilber de uma preocupação central de Morin: o todo não pode explicar exaustivamente as partes da mesma maneira que as partes não podem explicar exaustivamente o todo.
González Rey chega a problema semelhante pela categoria de configuração. Uma configuração subjetiva não pode ser explicada decompondo-a em variáveis independentes. O psicológico emerge de relações cuja organização produz qualidades novas.
Portanto, há uma convergência substantiva: Wilber: hólon → totalidade/parte → emergência → irredutibilidade. González Rey: configuração → organização singular → emergência → irredutibilidade. As categorias não são equivalentes, mas respondem a um problema epistemológico semelhante.
5. Holarquia e configuração: uma diferença decisiva
A convergência anterior torna mais precisa a diferença entre os autores. Wilber concebe o desenvolvimento em termos de transcender e incluir. Formações posteriores integram capacidades anteriores e acrescentam possibilidades mais abrangentes. Sua concepção possui, portanto, uma verticalidade explicitamente assumida. Holarquia significa que determinadas formas organizacionais apresentam maior profundidade ou capacidade integradora do que outras.
González Rey não organiza a subjetividade mediante uma escala equivalente de níveis superiores e inferiores. A categoria fundamental é a configuração, não a holarquia. As configurações são singulares, históricas, contraditórias e suscetíveis de reorganização.
Temos, assim, duas concepções diferentes de complexificação: Wilber: complexificação predominantemente holárquico-evolutiva. González Rey: complexificação predominantemente histórico-configuracional.
Essa diferença não precisa ser transformada em incompatibilidade. Morin também reconhece níveis de organização e emergência. O problema começa quando uma hierarquia deixa de funcionar como instrumento de inteligibilidade e se converte numa sequência universal predeterminada. É precisamente aqui que a teoria de González Rey pode funcionar como contraponto crítico ao integralismo wilberiano.
6. Universalidade e singularidade
Wilber procura encontrar estruturas suficientemente gerais para relacionar diferentes campos do conhecimento e da experiência. Sua ambição intelectual é deliberadamente abrangente. Os quatro quadrantes, hólons e holarquias constituem instrumentos para localizar perspectivas aparentemente incompatíveis numa cartografia multidimensional.
Essa ambição constitui simultaneamente uma das grandes forças e uma das zonas de risco de seu projeto. Quanto mais abrangente uma metateoria pretende tornar-se, maior o perigo de que a diversidade histórica seja interpretada mediante categorias previamente estabelecidas.
González Rey parte de uma preocupação diferente. A singularidade não constitui simplesmente um caso particular de uma estrutura universal. Ela possui valor epistemológico próprio. A pesquisa da subjetividade deve acompanhar construções indiretas, contraditórias e em permanente desenvolvimento, em vez de procurar predizê-las por meio de instrumentos padronizados. Essa orientação continua sendo identificada como um dos fundamentos da Epistemologia Qualitativa e da metodologia construtivo-interpretativa.
A oposição, entretanto, não deve ser radicalizada. Uma ciência exclusivamente voltada ao singular poderia perder capacidade de identificar regularidades e processos mais abrangentes; uma metateoria excessivamente universalizante poderia subordinar a singularidade às categorias utilizadas para reconhecê-la.
A questão complexa seria outra: como articular universalidade e singularidade sem reduzir uma à outra? Nesse ponto, a dialógica moriniana oferece uma possibilidade mais fecunda do que a escolha exclusiva entre os polos.
7. Uma diferença fundamental: epistemologia e pesquisa
Talvez seja nesse aspecto que González Rey ofereça a contribuição mais diretamente aplicável à pesquisa psicológica e, de modo mais amplo, às ciências humanas.
A complexidade do objeto exige transformação correspondente na epistemologia. Se a subjetividade não constitui realidade transparente, diretamente acessível ao pesquisador, não faz sentido imaginar a pesquisa como simples “coleta de dados”. O conhecimento é produzido mediante um processo construtivo-interpretativo no qual pesquisador, participantes, teoria e situação de pesquisa estão implicados.
A Epistemologia Qualitativa apoia-se especialmente em três princípios: caráter construtivo-interpretativo do conhecimento, legitimidade epistemológica da singularidade e dialogicidade (6). Essa caracterização é reafirmada pela literatura posterior dedicada à metodologia construtivo-interpretativa.
Wilber desenvolve uma metateoria extremamente abrangente, mas não oferece uma metodologia de pesquisa empírica equivalente à Epistemologia Qualitativa de González Rey. Sua preocupação fundamental é integrar perspectivas, domínios e formas de conhecimento.
Podemos, portanto, estabelecer uma distinção importante: Wilber pergunta sobretudo como integrar perspectivas diferentes sobre a realidade humana. González Rey pergunta também como produzir conhecimento sobre uma realidade subjetiva complexa sem simplificá-la no próprio ato de pesquisá-la. Essa segunda pergunta aproxima especialmente González Rey da problemática da reflexividade na pesquisa.
8. Morin entre Wilber e González Rey
A introdução de Morin não deveria servir para classificar os dois autores segundo uma escala de maior ou menor “complexidade”. Isso reproduziria paradoxalmente uma lógica classificatória pouco compatível com o próprio pensamento complexo.
Morin permite identificar simultaneamente complementaridades, concorrências e antagonismos. Wilber oferece uma poderosa crítica ao reducionismo e lembra que uma psicologia complexa não deveria ignorar dimensões biológicas, comportamentais, subjetivas, culturais e sociais. Sua insistência na irredutibilidade das dimensões interiores é particularmente importante diante de perspectivas que transformam consciência e subjetividade em epifenômenos de processos neurobiológicos ou sistêmicos.
González Rey, por sua vez, radicaliza a historicidade, a singularidade e o caráter generativo da subjetividade. Sua teoria oferece categorias mais diretamente compatíveis com processos incertos, contraditórios e configuracionais, além de converter essa concepção ontológica em consequências epistemológicas e metodológicas.
Morin acrescenta algo aos dois: a necessidade de conservar a tensão entre organização e desorganização, universal e singular, autonomia e dependência, parte e todo, ordem e incerteza, sem buscar uma síntese final que elimine um dos termos.
Surge daí uma hipótese: talvez uma psicologia complexa possa aprender com Wilber a não perder a multidimensionalidade e com González Rey a não converter multidimensionalidade em uma cartografia fechada.
Considerações finais
A comparação realizada permite abandonar uma oposição inicialmente tentadora, mas insuficiente: Wilber como representante da integração e González Rey como representante da complexidade. Wilber também desenvolve elementos importantes de um pensamento não redutor. Sua concepção de hólons, a irredutibilidade dos quatro domínios, a emergência e sua crítica aos reducionismos grosseiro e sutil mostram uma teoria preocupada em preservar a multidimensionalidade da experiência humana.
A diferença fundamental situa-se em outro plano. Wilber organiza a complexidade predominantemente mediante uma arquitetura integral-holárquica; González Rey a concebe predominantemente mediante uma lógica histórico-configuracional.
A holarquia permite a Wilber pensar níveis de organização, emergência, integração e desenvolvimento. Entretanto, sua orientação universalizante suscita a questão de até que ponto sequências de desenvolvimento e estruturas gerais conseguem permanecer abertas à singularidade histórica e à imprevisibilidade.
González Rey parte justamente dessa abertura. Sentidos subjetivos e configurações subjetivas não são determinados mecanicamente por estruturas exteriores nem deduzidos de esquemas universais. A subjetividade constitui produção histórica, cultural, simbólico-emocional e singular. A complexidade, portanto, não permanece apenas como princípio filosófico: penetra a construção teórica do objeto e alcança a epistemologia e a metodologia.
A leitura de Mitjáns Martínez é decisiva nesse aspecto. A autora não afirma simplesmente que González Rey “utiliza” Morin. Mostra uma convergência epistemológica que possui raízes próprias, especialmente na tradição dialética e histórico-cultural, e que posteriormente encontra no paradigma da complexidade recursos para seu desenvolvimento. Essa distinção evita transformar González Rey num mero aplicador de Morin.
Talvez o resultado mais fecundo da comparação esteja, portanto, na possibilidade de uma dialógica entre Wilber e González Rey, mediada criticamente por Morin. Não se trataria de fundir as teorias, mas de distingui-las sem separá-las. A multidimensionalidade integral de Wilber pode desafiar uma psicologia da subjetividade a não restringir excessivamente seu horizonte antropológico; a singularidade configuracional de González Rey pode desafiar o integralismo a permanecer aberto à história, à incerteza e ao não previsto.
A pergunta que permanece aberta é particularmente relevante: seria possível conceber uma psicologia simultaneamente integral e complexa — suficientemente abrangente para religar dimensões fragmentadas do humano e suficientemente aberta para impedir que essa integração elimine singularidade, contradição, emergência e incerteza?
Mais do que oferecer uma síntese conclusiva, o diálogo entre Wilber, González Rey e Morin parece tornar essa pergunta teoricamente mais precisa.
Referências
(1) MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2011.
(2) WILBER, Ken. O Projeto Atman: uma visão transpessoal do desenvolvimento humano. São Paulo: Cultrix, s.d. [edição utilizada no arquivo consultado].
(3) WILBER, Ken. Sex, Ecology, Spirituality: The Spirit of Evolution. Boston: Shambhala, 1995.
(4) MITJÁNS MARTÍNEZ, Albertina. A Teoria da Subjetividade de González Rey: uma expressão do paradigma da complexidade na Psicologia. In: GONZÁLEZ REY, Fernando (org.). Subjetividade, complexidade e pesquisa em psicologia. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005, p. 1-25.
(5) GONZÁLEZ REY, Fernando. Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.
(6) GONZÁLEZ REY, Fernando; MITJÁNS MARTÍNEZ, Albertina. Una epistemología para el estudio de la subjetividad: sus implicaciones metodológicas. Psicoperspectivas, v. 15, n. 1, p. 5-16, 2016.
(7) MITJÁNS MARTÍNEZ, Albertina; GONZÁLEZ REY, Fernando; VALDÉS PUENTES, Roberto (orgs.). Epistemologia qualitativa e teoria da subjetividade: discussões sobre educação e saúde. Uberlândia: EDUFU, 2019. A obra reúne desenvolvimentos posteriores da Teoria da Subjetividade, da Epistemologia Qualitativa e da metodologia construtivo-interpretativa.
P.S.: Usei a IA GPT 5-6 na busca e na organização de informações, e também na elaboração para o texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.


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