Razão além do instrumental: Guerreiro Ramos, Maffesoli, Vietta e Morin
Objetivo
Analisar comparativamente as contribuições de Alberto Guerreiro Ramos, Michel Maffesoli, Silvio Vietta e Edgar Morin para a crítica da racionalidade instrumental moderna, examinando como as noções de razão substantiva, razão sensível, racionalidade reflexiva-aistética e razão aberta convergem na busca de uma racionalidade mais ampla, contextualizada e multidimensional, sem implicar a rejeição da razão instrumental, do cálculo, da técnica ou da ciência.
Resumo
A modernidade foi profundamente marcada pela expansão da racionalidade científica, técnica, econômica e administrativa. Essa expansão possibilitou extraordinários avanços no conhecimento, na produção e na organização social, mas também favoreceu processos de fragmentação, burocratização, mercantilização, dominação e exploração da natureza. Este ensaio aproxima as contribuições de Alberto Guerreiro Ramos, Michel Maffesoli, Silvio Vietta e Edgar Morin para examinar diferentes respostas à hegemonia da racionalidade instrumental. Argumenta-se que esses autores, apesar de diferenças significativas, não propõem simplesmente substituir a razão instrumental por outra forma de razão. Suas obras podem ser interpretadas como esforços distintos de recontextualização da racionalidade: Guerreiro Ramos pela razão substantiva e pela delimitação dos sistemas sociais; Maffesoli pela razão sensível e pelo raciovitalismo; Vietta por uma racionalidade reflexiva capaz de reconciliar-se com a aisthesis; e Morin pela razão aberta, pela ciência com consciência e pela ecologização do pensamento. A comparação permite sustentar que a crise contemporânea não resulta de um excesso de razão, mas da autonomização de uma forma parcial de racionalidade que, transformada em princípio hegemônico, perde a capacidade de reconhecer seus limites, seus contextos e as consequências de sua própria eficácia.

Introdução
A crítica da racionalidade moderna ocupa lugar central em diferentes tradições das ciências humanas e da filosofia contemporânea. Weber examinou a racionalização e a burocratização; Horkheimer e Adorno problematizaram a razão instrumental; Habermas distinguiu modalidades de racionalidade e ação; e inúmeros autores posteriores procuraram compreender os paradoxos de uma civilização que ampliou extraordinariamente sua capacidade científica e tecnológica, mas também produziu guerras industrializadas, burocracias opressivas, mercantilização crescente da vida e uma crise ecológica de alcance planetário.
Este ensaio propõe aproximar quatro autores provenientes de percursos intelectuais bastante diferentes: Alberto Guerreiro Ramos, Michel Maffesoli, Silvio Vietta e Edgar Morin. A aproximação não pretende apagar suas diferenças nem transformar razão substantiva, razão sensível, racionalidade reflexiva-aistética e razão aberta em expressões equivalentes. Ao contrário, interessa compreender como diferentes críticas à modernidade convergem diante de um problema comum: a transformação de uma racionalidade parcial, calculadora e instrumental em princípio dominante de organização do conhecimento e da vida social.
A hipótese orientadora é que os quatro autores não defendem simplesmente o abandono da racionalidade instrumental. Cálculo, técnica, análise, especialização, eficiência e relações entre meios e fins continuam sendo indispensáveis. O problema começa quando essa racionalidade deixa de reconhecer sua parcialidade e extrapola os contextos em que é pertinente. A instrumentalidade transforma-se, então, em instrumentalismo; a racionalidade, em racionalização; a diferenciação, em fragmentação.
O argumento será desenvolvido em seis momentos. Inicialmente, examina-se a formação histórica da racionalidade calculadora a partir da reconstrução interdisciplinar proposta por Vietta. Em seguida, aborda-se a crítica de Guerreiro Ramos à hegemonia da racionalidade instrumental e sua concepção de razão substantiva. A terceira seção analisa a razão sensível e o raciovitalismo de Maffesoli. A quarta situa a distinção moriniana entre racionalidade e racionalização, destacando a razão aberta, a ciência com consciência e a ecologização do pensamento. Na quinta seção são examinadas as convergências e diferenças entre os quatro autores. Finalmente, discute-se a atualidade dessas contribuições diante das crises socioambientais e dos limites de uma civilização organizada predominantemente pelo cálculo.
1. Vietta e a longa história da racionalidade
A contribuição particular de Silvio Vietta consiste na amplitude histórica e interdisciplinar de sua investigação. Em vez de restringir a racionalidade à história da filosofia ou da ciência, ele procura acompanhar aproximadamente 2.700 anos de constituição e expansão de uma forma de pensamento que, originada na Europa, adquiriu alcance mundial. Sua tese atribui à racionalidade uma condição ambivalente: trata-se de uma faculdade extraordinariamente eficiente, mas também profundamente unilateral. Ela possibilitou realizações científicas, tecnológicas, econômicas, políticas e administrativas decisivas, ao mesmo tempo que esteve associada à expansão colonial, à dominação e à exploração da natureza (1).
Vietta define inicialmente essa racionalidade pela relação lógico-causal entre meios e fins, pela linearidade, pelo cálculo e pela transformação dos objetos em realidades utilizáveis. Essa definição aproxima sua reconstrução histórica do problema geralmente denominado racionalidade instrumental. Entretanto, sua originalidade está em localizar muito antes da modernidade uma cisão fundamental da cultura ocidental: a separação entre pensamento racional e aisthesis, entre abstração racional, de um lado, e sensibilidade e emotividade, de outro (1).
A separação é ambivalente. Permite à razão abstrair qualidades particulares e construir ciência, matemática e tecnologia; porém, tende simultaneamente a desqualificar como “irracional” aquilo que não se ajusta aos seus procedimentos. A história ocidental passa, assim, a carregar uma tensão entre racionalidade e dimensões sensíveis, emocionais e imaginativas da existência humana.
A modernidade intensifica esse processo. Vietta reconhece em Weber um autor fundamental para compreender como a racionalidade penetra amplos âmbitos da sociedade, racionalizando o trabalho e as organizações, burocratizando estruturas e contribuindo para o desencantamento do mundo (1). Mas sua própria investigação pretende ultrapassar as fronteiras disciplinares: a história da racionalidade não pode ser compreendida exclusivamente pela filosofia, sociologia, economia ou história da técnica. A crescente especialização das ciências contrasta paradoxalmente com a crescente integração objetiva dos processos mundiais.
Um dos conceitos mais fecundos de Vietta é, nesse sentido, a “irracionalidade da racionalidade”. Um comportamento pode ser perfeitamente racional segundo uma relação estreita entre meios e fins e, ao mesmo tempo, produzir consequências destrutivas quando observado num contexto mais amplo. O exemplo da pesca com dinamite é elucidativo: o meio aumenta a eficiência imediata da captura, mas destrói as próprias condições ecológicas que tornam possível continuar pescando. O problema não reside necessariamente no meio, mas em sua utilização descontextualizada e na incapacidade de considerar consequências mais amplas (1).
A resposta de Vietta não é, portanto, menos racionalidade. Ao contrário: ele reivindica mais racionalidade, porém uma racionalidade reflexiva. E sua reconstrução culmina na necessidade de reaproximação entre racionalidade e aisthesis: o ser humano não chega ao mundo como puro sujeito abstrato, mas como ser que sente, toca, vê, cheira e experimenta corporalmente sua dependência da Terra.
2. Guerreiro Ramos: da racionalidade instrumental à razão substantiva
Guerreiro Ramos chega a um problema semelhante por outro percurso. Em A nova ciência das organizações, sua crítica dirige-se à transposição indevida da lógica do mercado para a totalidade da vida humana. A sociedade moderna não apenas criou mercados; permitiu que categorias próprias do mercado adquirissem condição paradigmática, convertendo eficiência, cálculo, produtividade e utilidade em critérios aparentemente universais da ação social (2).
A distinção entre racionalidade instrumental ou funcional e racionalidade substantiva não deve, entretanto, ser interpretada como defesa da eliminação da primeira. A racionalidade instrumental é necessária em numerosas situações organizacionais, econômicas e técnicas. A questão está na sua delimitação. Uma organização produtiva precisa calcular custos, recursos, meios e resultados; daí não se segue que os mesmos critérios possam determinar aquilo que constitui uma vida boa, uma comunidade desejável ou uma sociedade justa.
A razão substantiva introduz, portanto, uma pergunta que a relação instrumental entre meios e fins não consegue responder por si própria: que fins merecem ser perseguidos? A eficiência de um meio não constitui critério suficiente para estabelecer a legitimidade do fim.
É precisamente nesse sentido que a crítica guerreiriana ao mercado adquire dimensão epistemológica e política. O problema não é a existência do mercado, mas a transformação da sociedade em uma sociedade centrada no mercado. Analogamente, o problema não é a racionalidade instrumental, mas sua extrapolação para esferas da existência nas quais outras formas de racionalidade deveriam prevalecer.
A proposta de uma sociedade multicêntrica e a delimitação dos sistemas sociais são consequências dessa concepção. Diferentes contextos da existência requerem diferentes critérios de organização. Em lugar da expansão ilimitada de uma lógica única, Guerreiro Ramos procura recuperar a pluralidade dos espaços da vida humana (2).
3. Maffesoli: razão sensível e raciovitalismo
Michel Maffesoli enfrenta o problema a partir de uma perspectiva distinta. Em Elogio da razão sensível, seu alvo é sobretudo o racionalismo abstrato que separa conhecimento e vida, conceito e experiência, intelecto e sensibilidade. Isso não significa renunciar ao rigor intelectual. A razão sensível pretende justamente conservar as exigências do pensamento, mas enraizá-las na concretude dos fenômenos sociais (3).
Maffesoli rejeita, portanto, tanto o racionalismo fechado quanto uma fuga para o irracionalismo. Sua alternativa procura reconhecer a ambivalência da existência, na qual corpo e espírito, razão e afetividade, inteligível e sensível se interpenetram. A experiência humana não pode ser compreendida adequadamente quando paixão, emoção, imagem, cotidiano e senso comum são tratados apenas como resíduos irracionais que deveriam ser eliminados do conhecimento.
É nesse contexto que ganha importância o raciovitalismo. Trata-se de procurar uma racionalidade vinculada à própria vida, uma “razão interna” às formas sociais, em vez de submetê-las exclusivamente a categorias abstratas estabelecidas previamente. A sensibilidade deixa de constituir obstáculo epistemológico e passa a participar do próprio processo de compreensão.
A aproximação com Vietta torna-se evidente. Aquilo que Vietta reconstrói historicamente como dissociação entre racionalidade e aisthesis, Maffesoli procura enfrentar epistemologicamente mediante a razão sensível. Entretanto, os dois projetos não são idênticos. Vietta reconstrói a longa duração da racionalidade ocidental e procura torná-la reflexiva; Maffesoli concentra-se mais diretamente nas formas contemporâneas de socialidade e na necessidade de um pensamento capaz de acompanhá-las sem reduzir sua vitalidade.
4. Morin: contra a racionalização, por uma razão aberta
A contribuição de Edgar Morin permite reformular o problema em termos propriamente epistemológicos e paradigmáticos. Sua crítica não é uma crítica da razão enquanto tal. É fundamental distinguir racionalidade e racionalização. A primeira permanece aberta à realidade, à experiência e à possibilidade de revisão de seus próprios pressupostos. A segunda constrói sistemas explicativos fechados, internamente coerentes, mas incapazes de acolher aquilo que contradiz suas premissas (4).
A racionalização é, portanto, uma patologia da própria razão. Um sistema de pensamento pode ser rigorosamente lógico e, entretanto, tornar-se irracional quando elimina de sua representação tudo aquilo que não cabe em seu modelo. Por isso, Morin defende uma razão aberta, capaz de dialogar com o real em vez de obrigá-lo a conformar-se previamente a suas categorias.
Essa distinção aproxima Morin da “irracionalidade da racionalidade” identificada por Vietta. O pescador que maximiza racionalmente sua captura destruindo o ecossistema de que depende exemplifica uma racionalidade fechada em uma cadeia causal estreita. A abertura da razão exige incorporar aquilo que foi excluído: temporalidade, contexto, interdependências, retroações e consequências não pretendidas.
Em Ciência com consciência, Morin amplia a crítica para o próprio conhecimento científico (4). A extraordinária eficácia da ciência moderna decorre, em parte, de operações de separação, análise e especialização. O problema aparece quando o conhecimento perde a capacidade de refletir sobre suas condições de produção e sobre suas consequências sociais, políticas, éticas e ecológicas. Ciência com consciência não significa menos ciência, mas ciência capaz de pensar a si própria.
É também nesse sentido que se deve compreender a ecologização do pensamento. Ecologizar não consiste simplesmente em acrescentar o “meio ambiente” aos objetos tradicionais de investigação. Significa compreender todo fenômeno em relação com seu contexto, suas condições, suas interdependências e os sistemas dos quais participa. O objeto isolado torna-se insuficiente; é preciso compreender simultaneamente o objeto e sua inserção.
O pensamento complexo procura, assim, distinguir sem separar e associar sem confundir. A análise continua necessária, mas precisa ser seguida pela religação. A especialização permanece indispensável, mas deve reconhecer o contexto que recorta. A razão continua necessária, mas deve reconhecer aquilo que não consegue reduzir a seus próprios procedimentos.
5. Quatro caminhos de recontextualização da razão
A comparação permite perceber uma convergência fundamental, sem transformar os quatro autores em representantes de uma mesma teoria. Em todos eles existe uma crítica à autonomização de uma racionalidade parcial.
Guerreiro Ramos identifica a extrapolação da racionalidade funcional e mercantil; Maffesoli, o fechamento do racionalismo abstrato diante da experiência sensível; Vietta, a longa expansão histórico-civilizacional da racionalidade calculadora e sua dissociação da aisthesis; Morin, a transformação da racionalidade em racionalização e a fragmentação produzida pelo paradigma da simplificação.
As alternativas também possuem ênfases diferentes. A razão substantiva introduz a consideração dos fins, valores e condições humanas da existência. A razão sensível restitui ao conhecimento dimensões corporais, afetivas, estéticas e experienciais. A racionalidade reflexiva-aistética de Vietta procura fazer com que a racionalidade historicamente triunfante reconheça seus limites e reencontre a base sensível da existência. A razão aberta de Morin contextualiza, problematiza seus próprios pressupostos e religa dimensões separadas.
A instrumentalidade não precisa desaparecer em nenhum desses movimentos. Ela precisa perder sua pretensão de soberania. Uma máquina eficiente continua requerendo cálculo. Uma organização precisa administrar recursos. Uma política pública precisa considerar custos e resultados. Uma investigação científica precisa analisar, distinguir e especializar. Mas nenhuma dessas operações, isoladamente, pode responder às perguntas sobre finalidades, valores, experiência humana, contexto e consequências.
Nesse sentido, a razão instrumental não constitui propriamente o contrário das demais formas de razão. O problema começa quando ela deixa de reconhecer que é uma dimensão parcial da racionalidade.
6. Da razão fragmentada à racionalidade contextualizada
Essa interpretação permite também uma compreensão menos simplista da modernidade. Seria inadequado reduzi-la a uma história de decadência produzida pela racionalidade. A mesma modernidade que burocratizou e mercantilizou também ampliou direitos, produziu ciência, desenvolveu tecnologias, institucionalizou formas democráticas e aumentou extraordinariamente as possibilidades humanas.
A questão é sua ambivalência. Vietta é particularmente explícito nesse ponto. Sua história da racionalidade não pode ser escrita simplesmente como história do progresso, porque a expansão da racionalidade foi acompanhada pela destruição de culturas e espaços naturais. Ao mesmo tempo, seria igualmente equivocado converter essa história numa narrativa exclusivamente regressiva.
A crise socioambiental contemporânea torna essa ambivalência especialmente visível. A racionalidade científico-tecnológica que tornou possível uma capacidade inédita de exploração da natureza é também indispensável para conhecer a mudança climática, acompanhar ecossistemas, produzir energias renováveis e formular alternativas. Não se trata, portanto, de escolher entre ciência e natureza, razão e sensibilidade, técnica e humanidade.
Trata-se de recontextualizar essas capacidades. Vietta chega diretamente a esse problema ao afirmar que o expansionismo da racionalidade deverá ceder lugar a uma cultura da sustentabilidade e que as economias industriais não podem perseguir crescimento ilimitado num planeta finito. É precisamente nesse ponto que sua racionalidade reflexiva encontra a ecologização do pensamento de Morin e, por outro caminho, a crítica de Guerreiro Ramos à expansão ilimitada da lógica mercantil.
A noção de contexto talvez constitua, portanto, uma chave de articulação entre os quatro autores. Contextualizar a razão instrumental significa perguntar onde ela é pertinente, quais são seus limites, a que finalidades serve, que dimensões da experiência deixa de fora, de quais sistemas depende e quais consequências produz.
A racionalidade deixa, assim, de ser uma faculdade soberana que observa o mundo de fora. Ela própria precisa tornar-se reflexiva, reconhecendo-se como parte do mundo que procura conhecer e transformar.
Considerações finais
A comparação entre Guerreiro Ramos, Maffesoli, Vietta e Morin permite reconsiderar uma oposição frequente entre racionalidade e crítica da racionalidade. Os quatro autores não precisam ser interpretados como adversários da razão moderna. Suas críticas dirigem-se, em diferentes níveis, à transformação de uma forma particular de racionalidade em princípio hegemônico.
Guerreiro Ramos mostra os limites sociais e éticos da expansão da racionalidade instrumental e mercantil e propõe sua delimitação pela razão substantiva. Maffesoli questiona a abstração que separa razão e experiência e procura reintegrar o sensível mediante o raciovitalismo. Vietta reconstrói historicamente a constituição e expansão mundial da racionalidade calculadora, mostrando simultaneamente sua extraordinária eficiência e as irracionalidades produzidas por sua unilateralidade. Morin, finalmente, distingue razão e racionalização e propõe uma razão aberta, uma ciência com consciência e uma ecologização do pensamento.
Há, portanto, diferenças que não devem ser apagadas. A razão substantiva possui uma dimensão ética e normativa particularmente acentuada; a razão sensível privilegia a dimensão estética, afetiva e experiencial; Vietta enfatiza a longa duração histórico-civilizacional; Morin desloca a discussão para os princípios paradigmáticos de organização do conhecimento.
Entretanto, precisamente essas diferenças tornam a comparação fecunda. Elas permitem visualizar dimensões complementares de um mesmo problema histórico: a autonomização de uma racionalidade parcial e sua transformação em princípio organizador da totalidade.
Talvez a crise contemporânea não deva, assim, ser compreendida como resultado de um “excesso de razão”. Trata-se antes do estreitamento da razão: uma racionalidade que se tornou extremamente poderosa justamente porque aprendeu a separar, abstrair, calcular e instrumentalizar, mas que, ao absolutizar essas operações, passou a perder de vista os contextos dos quais depende.
A resposta não seria retornar a um mundo pré-racional nem substituir razão por emoção, ciência por experiência ou técnica por natureza. Seria recuperar a capacidade de religar aquilo que foi separado sem eliminar as diferenças: meios e fins, razão e sensibilidade, conhecimento e consciência, indivíduo e sociedade, economia e vida, humanidade e natureza.
Nesse sentido, razão substantiva, razão sensível, racionalidade reflexiva-aistética e razão aberta podem ser compreendidas como quatro caminhos distintos de recontextualização da racionalidade. E talvez seja justamente essa recontextualização — ética, sensível, histórica, ecológica e epistemológica — uma das condições para que a extraordinária potência racional da humanidade deixe de produzir, paradoxalmente, a irracionalidade de sua própria destruição.
Referências
(1) VIETTA, Silvio. Racionalidade: uma história universal: cultura europeia e globalização. Tradução de Nélio Schneider. Campinas: Editora da Unicamp, 2015.
(2) GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1981.
(3) MAFFESOLI, Michel. Elogio da razão sensível. Tradução de Albert Christophe Migueis Stuckenbruck. Petrópolis: Vozes, 1998.
(4) MORIN, Edgar. Ciência com consciência. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. [Na versão final, convém inserir o ano da edição efetivamente utilizada.]
P.S.: Usei a IA GPT 5-6 Sol na busca e organização das informações, e na elaboração da ilustração do texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.



Comentários