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Quem representa a ordem? Lula e Flávio Bolsonaro diante da geopolítica, da crise climática e dos territórios

há 43 minutos
21 min de leitura

Objetivo

Comparar as orientações geopolíticas e ambientais associadas às candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, relacionando seus programas eleitorais às respectivas trajetórias políticas, alianças internacionais, coalizões sociais e práticas institucionais. O artigo examina especialmente o multilateralismo dos BRICS, a atuação do Novo Banco de Desenvolvimento, o alinhamento bolsonarista ao trumpismo e as consequências territoriais desses projetos na Amazônia, na Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, e na reconstrução do Rio Grande do Sul diante da desordem climática.


Resumo

A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro não se limita à alternância entre dois candidatos ou à divergência entre programas administrativos. Ela envolve projetos distintos de democracia, inserção internacional, industrialização, política ambiental e ocupação do território. Lula procura reconstruir a ordem constitucional brasileira e, simultaneamente, reformar a ordem geopolítica e financeira internacional por meio do multilateralismo, dos BRICS, do Novo Banco de Desenvolvimento e da diversificação das relações comerciais. Flávio representa a continuidade do bolsonarismo: questiona instituições democráticas internamente, mas se alinha à hierarquia internacional liderada por Donald Trump, ao unilateralismo norte-americano e a uma política ambiental predominantemente desreguladora. As diferenças tornam-se concretas quando observadas na retomada do Fundo Amazônia, na política industrial de descarbonização, no financiamento multilateral à reconstrução do Rio Grande do Sul, na tentativa de redução da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, na transferência dos terrenos de marinha, na flexibilização do licenciamento e na disputa em torno do Marco Temporal. O governo Lula apresenta contradições reais, visíveis nos conflitos entre os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e na prospecção de petróleo na Margem Equatorial. Essas tensões, entretanto, não tornam equivalentes os dois campos. Enquanto no governo Lula a ciência, a regulação ambiental, os direitos indígenas e a transição energética possuem legitimidade e capacidade de disputar as decisões estatais, no bolsonarismo esses elementos tendem a ser subordinados ao mercadocentrismo, à exploração territorial e ao alinhamento com o trumpismo.



Introdução


Uma comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro torna-se superficial quando se limita ao conteúdo literal dos programas eleitorais. Programas são documentos importantes, mas também constituem instrumentos de comunicação política. Podem incorporar palavras socialmente valorizadas — sustentabilidade, inovação, energia limpa, soberania e segurança jurídica — sem revelar de que maneira esses conceitos serão hierarquizados quando entrarem em conflito com interesses econômicos, coalizões políticas e pressões internacionais.


É necessário confrontar as promessas eleitorais com as trajetórias dos candidatos, os projetos legislativos apresentados ou defendidos, as práticas dos governos aos quais estão vinculados e os grupos que sustentam suas candidaturas. Esse procedimento permite distinguir compromisso programático de adaptação discursiva. Também ajuda a compreender como a política cognitiva, no sentido desenvolvido por Alberto Guerreiro Ramos, seleciona determinadas informações, silencia outras e apresenta como universal uma racionalidade orientada por interesses particulares (1).


Na política ambiental, a política cognitiva transforma a apropriação privada em desenvolvimento, a redução da proteção em segurança jurídica e o licenciamento em burocracia. Na geopolítica, denomina “ordem mundial” uma estrutura que assegura previsibilidade às potências centrais, mas produz dívida, austeridade, guerras, dependência e instabilidade climática nas periferias. Questionar essa ordem passa a ser apresentado como ameaça, enquanto a coerção econômica e o unilateralismo dos países dominantes são naturalizados como exercício legítimo de liderança.


Foi nesse contexto que surgiu, em comentário televisivo, a interpretação de Demétrio Magnoli de que Lula representaria a ordem e Flávio Bolsonaro a subversão da ordem. A formulação capta parte do problema, mas não distingue a ordem constitucional brasileira da ordem geopolítica internacional. Lula procura preservar a democracia no plano interno, mas reformar a governança mundial. Flávio representa um campo que subverte a institucionalidade democrática brasileira, ao mesmo tempo que aceita a subordinação do país à hierarquia internacional liderada pelos Estados Unidos. A pergunta decisiva, portanto, não é simplesmente quem representa a ordem, mas qual ordem cada candidato pretende conservar, transformar ou subverter.


1. Duas concepções de soberania e inserção internacional


A política externa de Lula está baseada na diversificação de parceiros, na cooperação Sul-Sul, no fortalecimento das instituições multilaterais e na procura de maior autonomia para o Brasil. Isso envolve preservar relações com Estados Unidos e União Europeia, mas também ampliar os vínculos com China, Índia, África do Sul, países latino-americanos, africanos e asiáticos. A autonomia não significa isolamento nem substituição automática de uma dependência por outra. Significa aumentar as alternativas econômicas, financeiras, diplomáticas e tecnológicas disponíveis ao país.


Os BRICS ocupam posição central nessa estratégia. O agrupamento é heterogêneo: reúne países com regimes políticos distintos, interesses regionais conflitantes, diferentes matrizes energéticas e posições nem sempre convergentes em relação a guerras, comércio e direitos humanos. Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã possuem grande dependência das exportações de petróleo e gás. China e Índia ainda utilizam carvão em larga escala. Não se trata, portanto, de um bloco ecológico homogêneo ou de uma aliança conduzida por valores políticos uniformes.


Apesar dessas contradições, os documentos das cúpulas dos BRICS defendem reiteradamente o fortalecimento da Organização das Nações Unidas, a reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, a ampliação da participação dos países em desenvolvimento, a cooperação climática, o Acordo de Paris, o financiamento da transição energética e a rejeição a medidas econômicas coercitivas unilaterais (2). O agrupamento procura modificar uma arquitetura internacional na qual os países de renda média e baixa enfrentam custos financeiros mais elevados, menor influência sobre as regras e maior vulnerabilidade às decisões monetárias tomadas nos países centrais.


O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) é a expressão institucional mais concreta dessa procura de equilíbrio. Criado pelos BRICS em 2014, o NDB nasceu para mobilizar recursos destinados à infraestrutura e ao desenvolvimento sustentável nos países emergentes e em desenvolvimento (3). Sua atuação não pode ser reduzida à construção de obras, porque responde também à concentração histórica do poder financeiro no FMI, no Banco Mundial, nas agências de classificação de risco e nos mercados denominados em dólar.


Durante décadas, os programas de ajuste promovidos pelo FMI e pelo Banco Mundial condicionaram empréstimos a privatizações, liberalização financeira, austeridade e redução da capacidade estatal. Embora essas instituições tenham financiado políticas relevantes e passado por mudanças, a assimetria de poder permanece. Os países mais vulneráveis pagam mais caro pelo crédito, possuem menor capacidade de influenciar decisões e suportam socialmente os custos dos ajustes realizados para assegurar o pagamento aos credores.


O NDB não rompeu integralmente com esse sistema. Também capta recursos nos mercados internacionais, depende de avaliações de risco e precisa manter sua capacidade financeira. Sua importância está em introduzir pluralidade numa estrutura excessivamente concentrada, ampliar o financiamento em moedas nacionais e associar infraestrutura, desenvolvimento e sustentabilidade. Sua estratégia institucional inclui energia renovável, mobilidade urbana, saneamento, abastecimento de água, infraestrutura digital, adaptação climática e proteção contra desastres (4).


Flávio Bolsonaro se vincula a uma orientação geopolítica diferente. Sua aproximação com Donald Trump, a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro e a militância de setores bolsonaristas nos Estados Unidos mostram que o nacionalismo proclamado por esse campo não corresponde à busca de autonomia brasileira. Trata-se de um nacionalismo subordinado, que exalta símbolos nacionais internamente, mas aceita a liderança política, econômica e cultural de Washington.


O contraste apareceu também na reação bolsonarista às pressões tarifárias norte-americanas. Em lugar de constituir uma posição nacional comum diante da coerção comercial, integrantes desse campo comemoraram inicialmente as medidas de Trump ou procuraram utilizá-las contra o governo brasileiro. A bandeira norte-americana estendida em manifestações e os bonés de apoio a Trump não constituem apenas elementos folclóricos. Expressam uma identificação política na qual os interesses da potência dominante são tratados como referência para reorganizar a política interna brasileira.


2. Trumpismo e desordem planetária


O governo Trump articula unilateralismo, expansão fóssil, protecionismo seletivo e enfraquecimento da cooperação climática. A retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, o incentivo à produção de petróleo e gás, as restrições à energia eólica e o desmonte de normas ambientais fazem parte de uma concepção segundo a qual qualquer limitação ecológica representa um obstáculo ao crescimento econômico norte-americano (5).


Essa estratégia pode favorecer determinados setores no curto prazo, mas aumenta a insegurança climática global e dificulta a renovação tecnológica da própria indústria dos Estados Unidos. Enquanto China, União Europeia e outros atores ampliam investimentos em energia solar, baterias, veículos elétricos, redes inteligentes e transporte de baixo carbono, o trumpismo procura prolongar a centralidade das indústrias fósseis. Seu projeto não é apenas conservador: ele bloqueia deliberadamente parte da transformação industrial necessária diante da emergência climática.


Javier Milei aproxima-se desse campo por sua hostilidade ao ambientalismo, por sua identificação com Trump e pela defesa de um ultraliberalismo que reduz a capacidade reguladora do Estado. Flávio Bolsonaro participa da mesma orientação ao combinar alinhamento geopolítico com desregulação econômica e ambiental. Seu programa menciona biocombustíveis, combustível sustentável de aviação e fontes renováveis, mas também propõe expandir petróleo e gás, flexibilizar licenças, viabilizar o fraturamento hidráulico e ampliar a exploração mineral.


A expressão “energia limpa” não basta para definir a orientação ambiental de uma candidatura. Trump também pode apoiar atividades renováveis quando forem economicamente convenientes, sem aceitar que os limites climáticos orientem o conjunto da política industrial. O critério relevante é saber se a proteção ambiental organiza o desenvolvimento ou se permanece subordinada à rentabilidade imediata dos investimentos.


A chamada ordem mundial liderada pelos Estados Unidos é, desse ponto de vista, profundamente desordenadora. Ela oferece segurança às moedas, empresas e instituições dos centros dominantes, mas transfere custos sociais e ecológicos para outras sociedades. A desigualdade financeira restringe a capacidade dos países pobres de investir em adaptação; a dívida estimula cortes de gastos públicos; as sanções unilaterais atingem populações; e a expansão fóssil multiplica eventos extremos que recaem mais intensamente sobre aqueles que menos contribuíram para o aquecimento global.


Lula não propõe substituir a ordem norte-americana por uma hegemonia chinesa. Sua política externa procura ampliar os centros de decisão e negociar com diferentes polos. O multilateralismo defendido pelo Brasil, pelos BRICS, pela União Europeia e por outros países não elimina conflitos, mas reduz a legitimidade das imposições unilaterais e aumenta o espaço para cooperação financeira, climática e tecnológica.


3. NDB, infraestrutura sustentável e o caso do Rio Grande do Sul


O Rio Grande do Sul demonstrou concretamente a relação entre injustiça financeira e crise climática. As enchentes de 2024 provocaram mortes, deslocamentos, perdas habitacionais, interrupção da produção, destruição de estradas e danos às redes urbanas. A reconstrução exigiu recursos muito superiores à capacidade imediata dos municípios e do governo estadual.


O NDB anunciou a mobilização de aproximadamente US$ 1,1 bilhão para apoiar a recuperação gaúcha, por meio de operações articuladas com instituições como BNDES, Banco do Brasil e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (6). Os recursos foram destinados à reconstrução de infraestrutura, ao apoio a empresas, à recuperação econômica e ao aumento da resiliência. O episódio mostrou que participar de um banco multilateral controlado por países emergentes oferece ao Brasil uma fonte adicional de financiamento diante de catástrofes.


O caso não transforma o NDB em um fundo de reservas nem elimina a necessidade de avaliar a qualidade de cada operação. O banco deve ser examinado segundo critérios de transparência, endividamento, impacto ambiental, participação das comunidades e distribuição dos benefícios. Sua relevância está em combinar financiamento do desenvolvimento, infraestrutura e resposta climática numa arquitetura menos concentrada do que aquela que prevaleceu durante décadas.


A reconstrução do Rio Grande do Sul também evidencia que sustentabilidade não é uma pauta acessória. Quando cidades são reconstruídas sem considerar várzeas, drenagem, impermeabilização do solo, proteção de matas ciliares e mudanças climáticas, o financiamento pode simplesmente restabelecer as condições que produziram o desastre. Infraestrutura sustentável significa reconstruir de maneira diferente, incorporando adaptação climática e prevenção de riscos.

Nesse ponto, a política externa de Lula se conecta à política territorial interna. O fortalecimento do NDB, a atuação do BNDES, o Fundo Clima e o Plano de Transformação Ecológica ampliam a capacidade pública de orientar investimentos. O mercado isoladamente tende a financiar empreendimentos rentáveis, mas não necessariamente prevenção, proteção de populações vulneráveis ou recuperação de ecossistemas. A transição justa exige instituições capazes de considerar benefícios coletivos e horizontes temporais mais longos do que aqueles predominantes nas decisões privadas.


4. Industrialização, descarbonização e as contradições do governo Lula


A Nova Indústria Brasil procura articular digitalização, descarbonização, bioeconomia, economia circular, segurança energética e desenvolvimento tecnológico (7). O objetivo é superar a posição brasileira de mero fornecedor de matérias-primas, reconstruindo cadeias produtivas e ampliando a capacidade nacional de produzir equipamentos, medicamentos, tecnologias digitais, combustíveis sustentáveis e soluções de baixo carbono.


Essa orientação encontra correspondência na política brasileira para minerais críticos e terras raras. O Brasil possui reservas importantes, mas historicamente exporta recursos com baixo beneficiamento interno. A política aprovada em 2026 procura fortalecer pesquisa, industrialização, domínio tecnológico e agregação de valor, evitando que terras raras, lítio, níquel, grafite e nióbio sejam apenas extraídos e enviados ao exterior (8).


A formulação demorou. Durante os primeiros anos do governo, o Ministério de Minas e Energia não apresentou uma estratégia suficientemente integrada para as terras raras. A legislação avançou principalmente por iniciativa parlamentar e somente depois foi incorporada de maneira mais consistente pelo Executivo. Ainda permanecem dúvidas quanto ao licenciamento, à participação das comunidades, à recuperação ambiental e à distribuição dos ganhos nas regiões mineradoras.


Essa demora e esses riscos se relacionam à composição contraditória do governo. Alexandre Silveira chegou ao Ministério de Minas e Energia por indicação do PSD e por sua proximidade com Rodrigo Pacheco, então presidente do Senado. Sua nomeação integrou a negociação necessária para sustentar um governo eleito sem maioria de esquerda no Congresso. O PSD reúne forças de centro e de centro-direita e não possui orientação ambiental homogênea.


Silveira entrou repetidamente em conflito com Marina Silva e com o Ibama, especialmente na discussão sobre a Margem Equatorial. Pressionou pela aceleração do licenciamento e questionou decisões técnicas contrárias à perfuração. Marina sustentou a autonomia do órgão ambiental e a necessidade de avaliar riscos num território ainda insuficientemente conhecido.


Lula procurou equilibrar as duas posições. Defendeu a prospecção de petróleo, condicionada a exigências técnicas e a mecanismos de resposta a acidentes, e argumentou que eventuais receitas poderiam financiar uma transição energética justa. É necessário distinguir a perfuração exploratória, destinada a verificar a existência e a viabilidade das reservas, da produção comercial, que depende de novas avaliações e licenças (9).


A utilização de receitas petrolíferas para financiar a transição possui racionalidade, mas não deixa de ser contraditória. A exploração pode levar anos para produzir recursos, enquanto a crise climática exige transformações imediatas. Tampouco existe garantia automática de que os rendimentos serão aplicados em descarbonização. Isso depende de legislação, fundos vinculados, planejamento e controle público.


Reconhecer essas contradições não torna equivalentes Lula e Flávio. Qualquer governo complexo abriga disputas, concessões e incoerências. A comparação deve observar a direção predominante, a capacidade de correção e os atores legitimados a participar das decisões. No governo Lula, o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama, o Fundo Amazônia, a ciência climática e os movimentos ambientais possuem espaço institucional e capacidade de resistência. No bolsonarismo, esses atores foram frequentemente tratados como adversários do desenvolvimento.


5. Amazônia: Fundo Amazônia, fiscalização e “passar a boiada”


A política amazônica oferece um contraste histórico particularmente claro. Durante o governo Jair Bolsonaro, a extinção das instâncias de governança do Fundo Amazônia interrompeu a análise de novos projetos e provocou a suspensão das contribuições de Alemanha e Noruega. O governo também enfraqueceu a fiscalização, entrou em conflito com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, incentivou atividades econômicas em áreas protegidas e tratou organizações ambientalistas e indígenas como inimigas.


A frase de Ricardo Salles sobre aproveitar a atenção pública concentrada na pandemia para “passar a boiada” tornou-se síntese de um método governamental: reduzir a proteção mediante decretos, portarias e alterações administrativas que despertassem menor atenção pública. Não se tratava apenas de negacionismo verbal. Era uma política de desestruturação institucional.


O governo Lula restaurou a governança do Fundo Amazônia, reativou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal e retomou a cooperação internacional (10). As contribuições foram renovadas e ampliadas. Isso não resolveu o conjunto dos conflitos amazônicos, mas restabeleceu capacidade pública de fiscalização, financiamento e coordenação.


Flávio Bolsonaro procura moderar o vocabulário ambiental durante a campanha, mas não rompeu com essa trajetória. Sua candidatura é sustentada pelo mesmo campo que promoveu o garimpo, flexibilizou normas, hostilizou servidores ambientais e apresentou territórios indígenas como reservas minerais improdutivas. A genealogia do bolsonarismo demonstra que o negacionismo climático e o enfraquecimento das instituições ambientais não foram desvios ocasionais, mas componentes de uma trajetória política mais ampla, associada ao autoritarismo, ao militarismo e à abertura predatória dos territórios protegidos (19). A mudança de linguagem eleitoral não corresponde, até agora, a uma revisão documentada dessa orientação.


6. Santa Catarina e a APA da Baleia Franca


A Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca abrange aproximadamente 155 mil hectares e cerca de 130 quilômetros do litoral centro-sul catarinense. Embora a maior parcela seja marinha, a porção terrestre reúne dunas, restingas, banhados, lagoas, estuários, manguezais, costões e remanescentes de Mata Atlântica. Esse conjunto protege a reprodução da baleia-franca-austral, sustenta pesca artesanal, turismo, surfe, biodiversidade e modos de vida tradicionais (11).


Os ecossistemas terrestres também funcionam como infraestrutura climática. Dunas amortecem a energia das ondas e armazenam sedimentos; restingas estabilizam o solo; banhados e lagoas retêm água e reduzem a velocidade do escoamento. Sua conservação não impede todos os desastres, mas diminui a exposição a ressacas, erosão e inundações.


O PL 849/2025, apresentado por Geovania de Sá, procura excluir da APA toda a faixa terrestre, retirando mais de 30 mil hectares da gestão integrada da unidade (12). A deputada ainda estava formalmente no PSDB quando protocolou a proposta, mas já havia declarado apoio a Jair Bolsonaro e votava com seu governo. Posteriormente, transferiu-se para o Republicanos, partido importante no campo conservador e bolsonarista.


A redução não resolveria automaticamente as ocupações irregulares, porque muitas estão localizadas em Áreas de Preservação Permanente e continuariam submetidas ao Código Florestal. O ICMBio advertiu que a alteração retiraria instrumentos de ordenamento territorial sem solucionar os problemas fundiários alegados (13). O Ministério Público Federal também se manifestou diante da tramitação acelerada do projeto e dos riscos decorrentes da exclusão da porção terrestre da unidade (18).


Na defesa da APA encontram-se pesquisadores, ambientalistas, pescadores, comunidades tradicionais, organizações socioambientais e representantes da esquerda democrática. Em Santa Catarina, o deputado estadual Marquito, do PSOL, promoveu audiências públicas, participou da comissão mista da Assembleia Legislativa e apoiou mobilizações em defesa da unidade. Sua atuação procura combinar proteção ecológica, regularização possível e participação das comunidades, evitando a falsa oposição entre moradores e natureza.


A disputa em torno da APA revela a política ambiental na prática. De um lado, busca-se resolver conflitos por meio de ciência, planejamento, regularização e gestão integrada. De outro, retira-se a proteção de todo o território terrestre sob o argumento genérico de eliminar entraves ao desenvolvimento. Os benefícios imediatos da valorização imobiliária tendem a ficar concentrados, enquanto os custos posteriores da erosão, das enchentes e da reconstrução são socializados.


7. Terrenos de marinha e privatização prática do litoral


A conexão entre a redução da APA e a chamada PEC das Praias é estrutural. A proposta teve origem na PEC 39/2011, apresentada pelo então deputado Arnaldo Jordy, naquele momento filiado ao PPS. Jordy havia passado pelo PCB, mas acompanhou a transformação partidária que levou do PPS ao atual Cidadania. A proposta, portanto, não nasceu no bolsonarismo.


Depois de aprovada na Câmara em 2022, durante o governo Bolsonaro, transformou-se na PEC 3/2022 no Senado. Flávio Bolsonaro tornou-se relator, apresentou parecer favorável e assumiu responsabilidade política por sua aprovação. A proposta permite a transferência dos terrenos de marinha a estados, municípios, foreiros e ocupantes particulares, conforme condições específicas (14).


Flávio não foi autor da PEC, mas não pode ser tratado como observador neutro. Ao relatá-la favoravelmente, incorporou-a ao projeto bolsonarista. Seu parecer acrescentou uma garantia formal de que as praias permaneceriam bens públicos e de livre acesso. Essa disposição não elimina, porém, o risco de privatização prática do litoral.


Uma praia pode continuar juridicamente pública e tornar-se socialmente inacessível quando caminhos, estacionamentos, dunas, restingas e terrenos contíguos são apropriados por condomínios e resorts. A transferência do patrimônio costeiro, combinada à redução de unidades de conservação e à flexibilização do licenciamento, amplia a capacidade de agentes privados controlarem as condições concretas de acesso ao mar.


A trajetória parlamentar de Flávio reforça essa interpretação. Em 2019, ele foi coautor do PL 2.362, que pretendia extinguir todas as áreas de Reserva Legal previstas no Código Florestal, permitindo sua exploração econômica. O projeto foi retirado posteriormente, mas sua apresentação revela uma preferência política documentada: diante do conflito entre proteção ambiental e exploração econômica, a proposta inicial foi eliminar a proteção (15).


Sua campanha também passou a defender licenciamento mais rápido para resorts e condomínios na Costa Verde do Rio de Janeiro. A PEC dos terrenos de marinha, o projeto contra as Reservas Legais, a flexibilização dos licenciamentos e o apoio à expansão fóssil não são episódios desconectados. Compõem uma orientação na qual o território é prioritariamente tratado como ativo econômico.


8. Marco Temporal, povos indígenas e a disputa pelo significado da terra


O conflito em torno do Marco Temporal pertence à mesma disputa. A tese procura condicionar o reconhecimento das terras indígenas à comprovação de que os povos as ocupavam ou disputavam em 5 de outubro de 1988. Esse critério ignora expulsões, massacres, remoções compulsórias e impedimentos de retorno anteriores à Constituição.


Em 2023, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o Marco Temporal e reafirmou que os direitos indígenas sobre as terras tradicionalmente ocupadas são originários, anteriores ao próprio Estado e não criados pela demarcação (16). O Congresso, entretanto, aprovou a Lei nº 14.701/2023. Lula vetou seus principais dispositivos, mas a maioria parlamentar derrubou os vetos (17). Posteriormente, o STF voltou a considerar inconstitucional o núcleo temporal da legislação.


A composição dessa disputa é reveladora. Povos indígenas, organizações de direitos humanos, pesquisadores, ambientalistas e partidos da esquerda democrática opõem-se ao Marco Temporal. Sua aprovação foi impulsionada pela bancada ruralista, por partidos de direita e pelo campo bolsonarista. A divergência não é apenas jurídica: envolve duas concepções de território.


Para uma perspectiva socioambiental, o território reúne vida, memória, cultura, trabalho, ancestralidade, biodiversidade e proteção climática. Para o mercadocentrismo, ele aparece prioritariamente como estoque de terras, minérios, madeira e oportunidades imobiliárias. A política cognitiva apresenta os direitos indígenas como privilégios e a expansão econômica como interesse nacional, ocultando os processos históricos de violência e apropriação.


9. O centro, a direita e a atração exercida pelo radicalismo


O bolsonarismo não deve ser compreendido somente como uma família política ou uma legenda. Ele funciona como polo de atração e reorganização do campo conservador. Em situações críticas, setores do centro, da centro-direita e da direita convencional frequentemente deixam de conter o radicalismo e passam a normalizá-lo, apoiá-lo ou competir com ele.


A capacidade de atração do bolsonarismo não se explica apenas por afinidades ideológicas ou pelo cálculo eleitoral dos partidos. Ela depende também de uma rede formada por relações familiares, agentes políticos, empresários, operadores financeiros, integrantes ou ex-integrantes das forças de segurança, lideranças religiosas e estruturas de comunicação digital. Ao mapear parte dessa rede em torno de Flávio Bolsonaro, Benedito Tadeu César reúne relações políticas, patrimoniais e institucionais que atravessam as investigações sobre as “rachadinhas”, Fabrício Queiroz, personagens relacionados às milícias do Rio de Janeiro, negócios imobiliários, a loja de chocolates e as relações mais recentes com Daniel Vorcaro e o Banco Master (20).


Nem todos esses episódios possuem o mesmo estatuto jurídico, e acusações, investigações arquivadas, provas anuladas e fatos comprovados não devem ser confundidos. O conjunto, entretanto, revela que a candidatura de Flávio não pode ser apresentada apenas como expressão abstrata de um programa conservador. Ela está inserida numa rede política, familiar e econômica formada ao longo de décadas.


Esse mapeamento também ajuda a compreender a dimensão econômica do bolsonarismo. O discurso eleitoral procura associar liberdade de mercado, redução do Estado e combate à corrupção, mas sua prática política depende de relações privilegiadas com setores empresariais, acesso seletivo a autoridades, proteção familiar e utilização de estruturas estatais. A rede que sustenta Flávio combina, assim, ultraliberalismo para a maioria da sociedade com relações particularistas para grupos próximos ao poder. A política cognitiva separa artificialmente essas duas dimensões: apresenta o programa econômico como defesa impessoal da eficiência, enquanto desloca para episódios individuais e desconectados as relações patrimoniais e institucionais que tornam possível sua candidatura.


O antigo PTB oferece outro exemplo da força de atração bolsonarista. O partido histórico de Getúlio Vargas e João Goulart vinculava-se ao trabalhismo, à legislação social e ao desenvolvimento nacional. A sigla recriada em 1980 não era institucionalmente idêntica ao partido extinto pela ditadura, mas reivindicava essa tradição. Sob Roberto Jefferson, deslocou-se para a direita, aderiu ao bolsonarismo, afastou quadros históricos e abriu espaço para extremistas e integralistas. Em 2023, fundiu-se com o Patriota e deu origem ao PRD.


O deslocamento não ocorre somente por conversão ideológica. Envolve cálculo eleitoral, acesso a cargos, recursos, alianças estaduais e medo de perder eleitores para candidatos radicalizados. A adesão pode começar como oportunismo, mas produz efeitos reais: ataques às instituições tornam-se aceitáveis, a ciência climática é relativizada e a retirada de direitos passa a integrar a agenda convencional.


O centro-direita pode atuar como corredor de legitimação. Propostas extremas são revestidas de expressões como modernização, liberdade econômica, segurança jurídica e combate à burocracia. A ultradireita fornece a pressão e a mobilização; os partidos convencionais oferecem votos, capilaridade e aparência de normalidade institucional.


A nomeação de Alexandre Silveira mostra outra face desse problema. Lula incorporou o PSD ao governo para ampliar a sustentação no Congresso. Essa concessão permitiu governabilidade, mas também introduziu no Executivo interesses e concepções que entram em conflito com o programa ambiental. Lula não é mero refém dessa correlação, pois nomeia, mantém e arbitra seus ministros. Tampouco governa livremente, como se dispusesse de uma maioria parlamentar de esquerda. Uma análise consistente precisa considerar simultaneamente responsabilidade presidencial e constrangimento político.


10. Política cognitiva e falsa equivalência


A política cognitiva opera quando as contradições do governo Lula são utilizadas para apagar as diferenças estruturais entre os dois campos. O governo explora petróleo; logo, seria ambientalmente igual ao bolsonarismo. Negocia com o centro; logo, teria o mesmo projeto da direita. Mantém relações comerciais com os Estados Unidos; logo, sua política externa não diferiria daquela defendida por Flávio.


Esse raciocínio transforma qualquer contradição em identidade. Em sociedades complexas, entretanto, governos não são avaliados pela inexistência de conflitos, mas pela direção das políticas, pelas instituições que fortalecem, pelos atores que legitimam e pela possibilidade de correção democrática.


Lula representa a continuidade de um projeto que combina políticas sociais, capacidade estatal, industrialização, transformação ecológica e multilateralismo. Seu governo contém forças conservadoras, mantém atividades extrativistas e realiza concessões ao agronegócio, à mineração e ao petróleo. Essas contradições precisam ser criticadas. Mas ciência climática, Fundo Amazônia, demarcação indígena, transição energética, Ibama e participação social permanecem referências legítimas dentro do governo.


Flávio menciona energia limpa, mas sua trajetória revela outra hierarquia. Ele procurou eliminar Reservas Legais, assumiu a defesa da transferência dos terrenos de marinha, propõe flexibilizar licenças para grandes empreendimentos e se vincula a um campo que enfraqueceu a governança amazônica. Seu alinhamento com Trump acrescenta uma orientação geopolítica contrária ao Acordo de Paris, ao multilateralismo dos BRICS e à autonomia brasileira.


A falsa equivalência não é neutralidade. Ela beneficia o projeto mais radical ao retirar importância das diferenças verificáveis e reduzir a política a uma sucessão de incoerências individuais. Criticar Lula de maneira rigorosa não exige apagar a diferença entre um governo contraditório que preserva a institucionalidade ambiental e um campo que transforma o desmonte dessa institucionalidade em programa.


Considerações finais


A comparação entre Lula e Flávio Bolsonaro revela duas orientações distintas de desenvolvimento, democracia e inserção internacional. Lula procura preservar a ordem constitucional brasileira e reformar a ordem mundial mediante multilateralismo, fortalecimento dos BRICS, diversificação comercial e financiamento do desenvolvimento sustentável. Flávio pertence a um campo que subverteu a democracia internamente, mas se subordina externamente ao unilateralismo de Trump.


A política ambiental torna essa diferença concreta. A retomada do Fundo Amazônia, a reconstrução climática financiada também pelo NDB, a Nova Indústria Brasil e a defesa dos direitos territoriais indígenas convivem, no governo Lula, com petróleo, mineração e conflitos internos. Essas contradições não devem ser ocultadas, mas compreendidas no interior de uma coalizão heterogênea e de um Congresso majoritariamente conservador.


No campo bolsonarista, a coerência predominante aparece na tentativa de abrir Reservas Legais, transferir terrenos costeiros, flexibilizar o licenciamento, reduzir a APA da Baleia Franca e limitar os direitos indígenas pelo Marco Temporal. O vocabulário eleitoral pode tornar-se temporariamente mais moderado, mas as práticas revelam a direção do projeto.


Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia demonstram que geopolítica e política ambiental não são temas abstratos. A arquitetura financeira internacional determina a capacidade de reconstruir cidades; decisões sobre unidades de conservação alteram a exposição às ressacas e enchentes; a demarcação de terras influencia a preservação das florestas; e a política energética modifica a frequência e a intensidade dos eventos climáticos.


A frase segundo a qual Lula representa a ordem e Flávio a subversão somente faz sentido se for dividida em dois planos. Lula representa a reconstrução da ordem democrática interna, mas questiona a ordem financeira e geopolítica concentrada nas potências tradicionais. Flávio representa a subversão da democracia brasileira, mas conserva a submissão à hierarquia internacional norte-americana.


A ordem dominada pelos Estados Unidos produziu estabilidade para seus centros de poder, mas também desigualdade financeira, guerras, dependência e insustentabilidade. Para grande parte do planeta, essa ordem é desordem. O multilateralismo defendido por Lula e pelos BRICS não constitui uma solução pronta nem isenta de contradições. Representa, contudo, a possibilidade de construir uma governança menos desigual, mais plural e potencialmente mais capaz de enfrentar a crise climática.


Referências

(1) GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2022.

(2) BRICS. Rio de Janeiro Declaration: strengthening Global South cooperation for a more inclusive and sustainable governance. XVII BRICS Summit. Rio de Janeiro, 6 jul. 2025. Disponível no portal oficial da Presidência Brasileira dos BRICS. Acesso em: 22 set. 2026.

(3) BRICS. Agreement on the New Development Bank. Fortaleza, 15 jul. 2014. Disponível em: https://www.ndb.int/about-ndb/establishment/. Acesso em: 22 set. 2026.

(4) NEW DEVELOPMENT BANK. General Strategy: 2022–2026 — scaling up development finance for a sustainable future. Shanghai: NDB, 2022. Disponível em: https://www.ndb.int/about-ndb/general-strategy/. Acesso em: 22 set. 2026.

(5) UNITED STATES OF AMERICA. The White House. Putting America First in International Environmental Agreements. Washington, 20 jan. 2025. Disponível em: https://www.whitehouse.gov/presidential-actions/. Acesso em: 22 set. 2026.

(6) NEW DEVELOPMENT BANK. NDB to provide financial assistance for reconstruction of Rio Grande do Sul. Shanghai, maio 2024. Disponível em: https://www.ndb.int/. Acesso em: 22 set. 2026.

(7) BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Nova Indústria Brasil: forte, transformadora e sustentável — Plano de Ação 2024–2026. Brasília: MDIC, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/mdic/. Acesso em: 22 set. 2026.

(8) BRASIL. Câmara dos Deputados. Nova lei cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Brasília, set. 2026. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/. Acesso em: 22 set. 2026.

(9) AGÊNCIA BRASIL. Extrair petróleo na Foz do Amazonas vai requerer novo aval, diz Lula. Brasília, 4 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-11/extrair-petroleo-na-foz-do-amazonas-vai-requerer-novo-aval-diz-lula. Acesso em: 22 set. 2026.

(10) BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL. Fundo Amazônia: relatório de atividades. Rio de Janeiro: BNDES, 2023–2025. Disponível em: https://www.fundoamazonia.gov.br/. Acesso em: 22 set. 2026.

(11) BRASIL. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca. Brasília: ICMBio, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/pt-br/assuntos/unidade-de-conservacao/unidades-de-biomas/marinho/lista-de-ucs/apa-da-baleia-franca. Acesso em: 22 set. 2026.

(12) BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 849, de 2025. Reduz a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, no Estado de Santa Catarina. Autoria: deputada Geovania de Sá. Brasília, 2025. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2486315. Acesso em: 22 set. 2026.

(13) BRASIL. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Nota à imprensa e à sociedade sobre o Projeto de Lei nº 849/2025 e a APA da Baleia Franca (SC). Brasília, 30 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/icmbio/. Acesso em: 22 set. 2026.

(14) BRASIL. Senado Federal. Proposta de Emenda à Constituição nº 3, de 2022. Transfere a propriedade de parte dos terrenos de marinha e seus acrescidos. Relator: senador Flávio Bolsonaro. Brasília, 2022–2025. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/151923. Acesso em: 22 set. 2026.

(15) BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei nº 2.362, de 2019. Revoga o capítulo do Código Florestal relativo às áreas de Reserva Legal. Autoria: senadores Flávio Bolsonaro e Marcio Bittar. Brasília, 2019. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/136371. Acesso em: 22 set. 2026.

(16) BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF rejeita tese do Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas. Brasília, 21 set. 2023. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=514552. Acesso em: 22 set. 2026.

(17) BRASIL. Lei nº 14.701, de 20 de outubro de 2023. Regulamenta o art. 231 da Constituição Federal para dispor sobre o reconhecimento, a demarcação, o uso e a gestão de terras indígenas. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 23 out. 2023.

(18) BRASIL. Ministério Público Federal. MPF alerta para tramitação de projeto de lei que ameaça área de proteção ambiental em Santa Catarina. Brasília, ago. 2026. Disponível em: https://www.mpf.mp.br/. Acesso em: 22 set. 2026.

(19) BOEIRA, Sérgio Luís. Genealogia do bolsonarismo: do capitão rebelde ao movimento político nacional (1986–2026). Blog Sérgio Luís Boeira, 20 set. 2026. Disponível em: https://www.websergioluisboeira.com/post/genealogia-do-bolsonarismo-do-capitão-rebelde-ao-movimento-político-nacional-1986-2026. Acesso em: 22 set. 2026.

(20) CÉSAR, Benedito Tadeu. A rede do crime que agasalha Flávio Bolsonaro. Brasil de Fato, 15 set. 2026. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/benedito-tadeu-cesar/2026/09/15/a-rede-do-crime-que-agasalha-flavio-bolsonaro/. Acesso em: 22 set. 2026.

 

P.S.: Usei a IA GPT 5.6 Sol na busca e organização das informações, e na elaboração da ilustração para o texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.

 
 
 

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