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Mulheres na segunda modernidade: autonomia, violência e política no Brasil contemporâneo

há 2 dias
21 min de leitura

Objetivo

Este artigo busca compreender a condição das mulheres no Brasil contemporâneo a partir das transformações da segunda modernidade, relacionando a ampliação da autonomia feminina às permanências e reconfigurações do patriarcado. Coloco em diálogo Ulrich Beck e Elisabeth Beck-Gernsheim, Edgar Morin, Serge Moscovici, Guerreiro Ramos e diferentes contribuições feministas, especialmente negras, interseccionais e decoloniais. Examino também a machosfera, a violência contra as mulheres e a participação feminina nos campos políticos brasileiros, compreendidos não como blocos homogêneos, mas como configurações históricas com tendências predominantes, divergências internas, fronteiras móveis e casos limítrofes. As trajetórias de Janja da Silva, Simone Tebet, Marina Silva, Michelle Bolsonaro e Marielle Franco permitem observar concretamente essas diferenças, tensões e intersecções.


Resumo

A passagem da primeira para a segunda modernidade modifica profundamente as relações entre homens e mulheres. A individualização das trajetórias, analisada por Ulrich Beck e Elisabeth Beck-Gernsheim, amplia as possibilidades biográficas das mulheres, mas não elimina automaticamente desigualdades historicamente constituídas. Relações tradicionais de autoridade passam a coexistir e conflitar com expectativas de autonomia, igualdade e negociação. Simultaneamente, os feminismos tornam-se crescentemente plurais e reflexivos, enquanto também se reorganizam reações à autonomia feminina, entre as quais a machosfera constitui uma expressão contemporânea relevante. No Brasil, essas contradições atravessam família, mercado, cuidado, religião, violência e política. As trajetórias de diferentes mulheres politicamente atuantes mostram que elas não constituem um sujeito homogêneo e participam ativamente da formação e transformação dos campos políticos. Sustento que a violência contra as mulheres possui uma dimensão política não porque seus perpetradores possam ser classificados partidariamente, mas porque autonomia feminina, cuidado, proteção, direitos, relações entre Estado e mercado e representações do feminino e do masculino são também objetos de disputa política.



Introdução — Da longa duração à segunda modernidade


Em artigo anterior, procurei compreender o feminicídio como um possível “termômetro do declínio civilizatório” (1). Posteriormente, ao formular a perspectiva de um feminismo complexo, argumentei que a condição feminina não pode ser compreendida mediante causalidade única nem pela abstração de uma mulher universal, separada de classe, raça, território, sexualidade, cultura, instituições, subjetividade e relações de poder (2). Em outro ensaio desta sequência, recuei na longa duração para investigar a formação histórica da dominação sobre as mulheres, colocando em diálogo Morin, Engels, Clastres e Maturana, entre outros autores (3).


O problema agora é diferente. Se a dominação masculina possui longa duração, o mundo contemporâneo não pode ser interpretado simplesmente como permanência do passado. As relações entre homens e mulheres sofreram transformações profundas. Escolarização, trabalho remunerado, direitos civis e políticos, liberdade afetiva e sexual e mudanças na família ampliaram as possibilidades biográficas das mulheres.


É justamente nesse ponto que Ulrich Beck e Elisabeth Beck-Gernsheim se tornam fundamentais. Em El normal caos del amor, os autores tratam as relações amorosas e familiares como um dos lugares privilegiados para observar a individualização. O próprio sumário da obra associa liberdade, igualdade e amor à emancipação feminina, à transformação dos papéis masculinos, ao mercado de trabalho, à família e às novas identidades (4).


A segunda modernidade, porém, não significa passagem linear do patriarcado à igualdade. Significa que relações antes apresentadas como naturais tornam-se progressivamente reflexivas, discutíveis e negociáveis. O patriarcado perde parte de sua naturalidade e de sua legitimidade sem necessariamente perder sua capacidade de reprodução. Pode resistir, adaptar-se e assumir novas formas.


É precisamente essa coexistência entre autonomização e reação, igualdade e desigualdade, individualização e dependência, emancipação e violência que pretendo examinar.


1. Beck e Beck-Gernsheim: o “caos normal” da autonomia


O título O caos normal do amor contém uma chave interpretativa importante. O caos não significa simplesmente desorganização moral ou decadência da família. É “normal” porque emerge das próprias transformações produzidas pela modernização.


Na sociedade industrial clássica, a articulação entre mercado de trabalho e família nuclear apoiava-se numa divisão sexual relativamente rígida. O homem era prioritariamente preparado para o mercado; à mulher atribuíam-se reprodução, trabalho doméstico e cuidado. A modernização, entretanto, passa a atingir as próprias bases sociais sobre as quais havia sido construída.


Quando as mulheres ampliam escolarização, participação profissional e autonomia econômica, a antiga complementaridade assimétrica entre homem provedor e mulher cuidadora torna-se progressivamente problemática. Beck e Beck-Gernsheim mostram que as contradições entre homens e mulheres não podem ser compreendidas apenas como conflitos privados. Elas estão relacionadas à própria organização de uma sociedade que individualiza os sujeitos para o mercado sem eliminar simultaneamente as desigualdades da divisão doméstica do trabalho (4).


Individualização não significa simplesmente individualismo. Significa que trajetórias antes largamente prescritas tornam-se crescentemente dependentes de escolhas, decisões e negociações. Escolher com quem viver, permanecer ou não casado, ter ou não filhos, construir uma carreira e repartir tarefas domésticas passa a integrar a construção reflexiva das biografias.


Para as mulheres, isso representa uma transformação histórica. Mas a liberdade de escolha também produz riscos, conflitos e novas responsabilidades. As instituições não acompanham necessariamente, no mesmo ritmo, as transformações biográficas.


O amor torna-se, paradoxalmente, mais livre e mais exigente. Quanto menos a tradição determina a relação, mais os parceiros precisam construí-la.


2. Quando a igualdade entra na família


A transformação torna-se ainda mais profunda quando a igualdade deixa de ser apenas um princípio jurídico e entra na vida cotidiana. Uma mulher pode possuir formalmente os mesmos direitos que seu companheiro e, simultaneamente, continuar responsável pela maior parte do cuidado dos filhos, da casa e dos familiares. Pode conquistar independência profissional e permanecer inserida numa relação estruturada segundo expectativas anteriores de disponibilidade, submissão ou obediência feminina.


É nessa zona de transição que a segunda modernidade torna particularmente visíveis desigualdades anteriormente naturalizadas. Em trabalho escrito com Vanêssa Simon, argumentamos que instituições, cultura, crenças, educação e divisão sexual do trabalho participam da construção histórica da assimetria entre homens e mulheres. Retomando Morin, observamos que diferenças biológicas não determinam desigualdades sociais, embora tenham participado historicamente das condições sobre as quais determinadas culturas construíram relações de dominação (5).


Beck e Beck-Gernsheim permitem avançar: quando posições tradicionalmente atribuídas às mulheres deixam de ser consideradas naturais, a própria desigualdade torna-se objeto de reflexão e contestação. Isso ajuda a compreender por que autonomização não significa automaticamente pacificação das relações de gênero. Pode produzir negociação, mas também conflito.


Não significa que a autonomia feminina cause violência. Essa interpretação responsabilizaria a mulher pela violência exercida contra ela. A hipótese relevante é outra: relações estruturadas sobre controle e subordinação podem entrar em crise quando uma das partes deixa de aceitar a posição subordinada que anteriormente lhe era atribuída. A autonomia torna visível a dominação precisamente porque permite recusá-la.


3. A segunda modernidade e a pluralização dos feminismos


As transformações das trajetórias femininas encontram correspondência na própria história intelectual e política dos feminismos. A segunda modernidade não produz somente biografias femininas mais diferenciadas; encontra também um campo feminista progressivamente mais plural e reflexivo.


É necessário evitar, entretanto, uma periodização simplificadora. Mulheres negras já questionavam anteriormente a universalização da experiência feminina branca. No Brasil, Lélia Gonzalez ocupa posição fundamental nessa crítica (6). Posteriormente, perspectivas interseccionais, pós-coloniais e decoloniais ampliaram as ferramentas conceituais disponíveis para compreender relações entre gênero, raça, classe, sexualidade, colonialidade e território.


O problema deixa então de ser apenas perguntar por que “a mulher” é subordinada “ao homem”. É necessário perguntar: quais mulheres, quais homens, em quais relações sociais, instituições, territórios, mercados e culturas?


É nesse sentido que tenho utilizado a expressão feminismo complexo (2). Não pretendo simplesmente acrescentar mais uma escola à diversidade dos feminismos. Interessa-me sobretudo uma perspectiva epistemológica capaz de religar contribuições diferentes sem dissolvê-las numa síntese indiferenciada.


A interseccionalidade torna visíveis relações que abordagens unidimensionais deixam escapar. A perspectiva decolonial questiona a universalização de experiências históricas europeias. O feminismo negro evidencia a impossibilidade de separar gênero, racismo e desigualdade social. A epistemologia da complexidade acrescenta a exigência de compreender essas dimensões simultaneamente em suas diferenças, interações, antagonismos e retroações.


A diversidade dos feminismos pode ser compreendida, portanto, não como mera fragmentação, mas também como manifestação da crescente reflexividade do próprio campo.


4. A machosfera: quando a reação também se moderniza


Não são apenas os feminismos que se transformam. Também se reorganizam as resistências à autonomia feminina. A chamada machosfera constitui um fenômeno característico dessa transformação. Não deve ser confundida simplesmente com hipermasculinidade. Esta diz respeito a padrões exacerbados de masculinidade associados, conforme o contexto, à dominação, força, agressividade, competição e controle. A machosfera constitui principalmente um ecossistema comunicacional, fortemente digital, no qual diferentes correntes masculinistas, antifeministas e misóginas produzem e difundem interpretações sobre homens, mulheres, sexualidade, relacionamentos e feminismo.


Vilaça e D’Andréa analisam a dinâmica transnacional da manosphere e sua configuração brasileira, relacionando-a às novas direitas, à alt-right, às guerras culturais digitais, às plataformas baseadas no anonimato e à chamada “Pílula Vermelha”. Os autores destacam ainda estratégias de inversão das opressões e práticas masculinistas de assédio (7).


Moscovici permite acrescentar outra dimensão (8). A machosfera pode ser compreendida como espaço de produção e circulação de representações sociais. Experiências individuais de frustração afetiva, insegurança econômica, dificuldades relacionais ou perda de posições tradicionais podem ser reinterpretadas mediante narrativas coletivas nas quais a autonomia feminina e o feminismo aparecem como responsáveis pelo sofrimento masculino.


Temos aqui uma dimensão daquilo que Guerreiro Ramos denominou política cognitiva: não se disputa apenas poder institucional. Disputa-se a maneira pela qual a realidade será percebida e interpretada.

O patriarcado contemporâneo, portanto, não precisa apresentar-se como tradição. Pode utilizar plataformas digitais, algoritmos, influenciadores e linguagens de empreendedorismo, desempenho, competição e sucesso individual. Antigas representações da superioridade masculina podem ser reconstruídas por tecnologias novas. O patriarcado também pode modernizar-se.


5. Mercado, família e cuidado: a autonomia diante do mercadocentrismo


Nesse ponto, Beck e Beck-Gernsheim encontram Guerreiro Ramos de maneira especialmente fecunda. A individualização feminina ocorre, em parte, por meio da escolarização e da entrada no mercado de trabalho. A independência econômica constitui condição importante da autonomia. Seria equivocado, portanto, transformar a crítica ao mercadocentrismo numa crítica ao mercado.


Guerreiro Ramos distingue a existência legítima do mercado de sua transformação em princípio ordenador da sociedade (9). Uma sociedade mercadocêntrica tende a submeter dimensões crescentes da existência às exigências de produtividade, competição, desempenho e rentabilidade.


A contradição aparece nitidamente no cuidado. O mercado demanda indivíduos disponíveis, móveis e responsáveis por suas trajetórias, enquanto a reprodução cotidiana da vida depende de atividades de cuidado que não podem ser integralmente reduzidas à lógica mercantil.


Historicamente, parte considerável dessa contradição permaneceu oculta porque o trabalho doméstico e de cuidado era realizado gratuitamente sobretudo pelas mulheres. Quando as mulheres ingressam maciçamente no mercado, a contradição deixa de poder ser absorvida silenciosamente pela família tradicional.


A Política Nacional de Cuidados, instituída pela Lei nº 15.069, de 23 de dezembro de 2024, torna essa questão objeto explícito de política pública. A lei estabelece o direito ao cuidado e a corresponsabilização social e entre homens e mulheres, atribuindo responsabilidades ao Estado em articulação com famílias, setor privado e sociedade civil (10).


Creches, licenças parentais, saúde, educação, proteção social e políticas de cuidado não são, portanto, questões exteriores à autonomia feminina. Interferem nas condições concretas pelas quais uma liberdade formal pode converter-se em capacidade substantiva de escolha.


É nesse ponto que a crítica ao mercadocentrismo adquire especial importância para a questão feminina. Quando cuidado, proteção e reprodução social são tratados predominantemente como problemas privados das famílias ou como serviços a serem adquiridos no mercado, é necessário perguntar quem assume o trabalho e os custos que permanecem fora dessas duas soluções. A distribuição entre Estado, mercado, família e sociedade civil não é neutra em relação ao gênero.


6. Violência, controle e autonomia


A violência contra as mulheres precisa ser situada nesse processo sem cair numa causalidade simplificadora. Feminicídio e violência doméstica não podem ser explicados exclusivamente pelo patriarcado, muito menos por uma variável política isolada. Relações afetivas, dependência econômica, disponibilidade de armas, álcool e drogas, representações sociais, estruturas familiares, instituições policiais e judiciais, redes comunitárias e políticas públicas podem interagir de maneiras distintas.


Entretanto, o controle constitui uma categoria central. Quando uma relação tradicionalmente assimétrica passa a depender de negociação, o reconhecimento da autonomia da companheira possibilita a reconstrução da relação. Quando essa autonomia é percebida como perda intolerável de autoridade, podem surgir tentativas de restabelecer o controle.


A segunda modernidade contém, assim, uma tensão peculiar: as mulheres possuem condições históricas crescentes para dizer não, enquanto determinadas representações masculinas continuam pressupondo que deveriam dizer sim.


Isso não autoriza concluir que autonomização feminina produza violência. Permite formular uma hipótese mais delimitada: a expansão da autonomia modifica as situações nas quais relações de dominação são negociadas, contestadas ou rompidas, tornando visíveis conflitos anteriormente encobertos pela própria subordinação.


É justamente aqui que a machosfera assume relevância. Ela pode transformar mudanças estruturais das relações entre homens e mulheres em narrativas de ressentimento, vitimização masculina ou restauração de hierarquias. Vilaça e D’Andréa identificam, entre os repertórios analisados, estratégias de inversão de opressões relacionadas a gênero, raça, sexualidade e classe (7).


7. Mulheres e campos políticos: fronteiras, tensões e política cognitiva


A discussão política exige um conceito de campo que não seja confundido com partido, candidato ou coligação eleitoral. Entendo aqui os campos políticos como configurações históricas compostas por partidos, lideranças, movimentos sociais, organizações religiosas e econômicas, intelectuais, meios de comunicação e segmentos da sociedade civil que, apesar das diferenças internas, apresentam determinadas convergências relativamente persistentes. Suas fronteiras são porosas. Existem dissidências, deslocamentos, sobreposições e casos limítrofes.


Reconhecer essas singularidades não significa abandonar a investigação dos padrões predominantes. Ao contrário, os casos de fronteira ajudam a delimitá-los.


Também não convém analisar esses campos predominantemente pelos discursos de campanha. A campanha eleitoral constitui ela própria um exercício de política cognitiva. Interessa observar também trajetórias, práticas institucionais, legislação, políticas públicas, alianças e decisões: aquilo que diferentes atores fizeram quando tiveram condições efetivas de decidir.


Essa perspectiva permite evitar um paradoxo: seria estranho escrever sobre autonomia feminina contando a história dos campos políticos quase exclusivamente pelas trajetórias dos homens.


As mulheres não são apenas destinatárias de políticas públicas. Elas participam da constituição dos próprios campos políticos.


8. Janja, Simone Tebet, Marina e Michelle: diferentes experiências femininas do poder


Rosângela da Silva, Janja, permite observar uma primeira configuração. Sua presença pública extrapola o papel estritamente protocolar de primeira-dama, e essa visibilidade também a transformou em alvo de violência digital.


Silva, Nascimento e Bertasso analisaram 78 matérias jornalísticas sobre a invasão e o ataque misógino à conta de Janja na plataforma X, em dezembro de 2023. O estudo examina justamente as relações entre misoginia on-line, violência digital de gênero e machosfera, concluindo que a cobertura jornalística analisada, de modo geral, contextualizou insuficientemente esses fenômenos (11).


O interesse sociológico desse caso não está em transformar qualquer crítica a Janja em manifestação de misoginia. Pessoas publicamente atuantes podem ser criticadas por suas ações e posições. O fenômeno é diferente quando a discordância política é substituída ou acompanhada por sexualização, insultos de gênero ou tentativas de desqualificação da mulher enquanto mulher.


A violência digital dirigida a Janja permite, portanto, observar concretamente a passagem entre machosfera e política cognitiva. A literatura brasileira identifica a machosfera como conjunto heterogêneo de comunidades masculinistas inseridas em guerras culturais digitais e relacionadas, em determinados segmentos, às novas direitas e a práticas de assédio (7). O estudo de Silva, Nascimento e Bertasso permite observar como misoginia digital e machosfera aparecem num episódio envolvendo uma mulher diretamente exposta à disputa política (11).


A trajetória de Simone Tebet revela outra dimensão. Em 2022, ela disputou a Presidência pelo MDB e, no segundo turno, declarou apoio a Lula, enquanto seu partido decidiu liberar seus integrantes diante das divergências internas. Posteriormente, Tebet assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento. Esse percurso é sociologicamente relevante porque mostra que partido, candidatura, coalizão e campo político não constituem categorias coincidentes.


Mais do que isso, sua presença no Planejamento evidencia que a participação política das mulheres não deve ser reduzida às políticas especificamente classificadas como “para mulheres”. Planejamento, orçamento, desenvolvimento econômico e relações entre Estado e mercado condicionam materialmente as possibilidades de autonomia de homens e mulheres.


Marina Silva e Michelle Bolsonaro, por sua vez, tornam particularmente visível a complexidade da relação entre religião, gênero e campos políticos. Ambas são mulheres evangélicas de grande projeção pública, mas articulam religião e política de maneiras distintas.


Em discurso realizado em fevereiro de 2024, Michelle afirmou que havia sido um erro considerar que política e religião não deveriam ser misturadas e relacionou a retomada religiosa do espaço político à restauração da nação. Marina, por sua vez, tem defendido publicamente que sua fé evangélica é compatível com o Estado laico. Em entrevista publicada pelo Senado em 2014, exemplificou essa concepção recordando seu parecer contrário à obrigatoriedade de Bíblias em bibliotecas públicas, precisamente porque o Estado não deveria privilegiar uma tradição religiosa.


Essa diferença entre mulheres que compartilham uma identidade religiosa, mas divergem na maneira de relacionar fé, política e Estado, retoma uma questão que examinei em três ensaios anteriores (14)(15)(16). A religião não constitui necessariamente uma força de heteronomia, assim como a secularização não produz automaticamente autonomia. É necessário distinguir formas de religiosidade capazes de conviver com pluralismo, reflexividade e Estado laico de formas de mobilização política que procuram transformar valores religiosos particulares em referência normativa para a sociedade.


No terceiro ensaio dessa trilogia, comparei precisamente diferentes formas pelas quais lideranças políticas utilizam ou delimitam politicamente a religião, tomando Trump, Bolsonaro, Marina Silva e Lula como casos (16). O objetivo não era medir quem seria “mais religioso”, mas distinguir religiosidade pessoal, referência religiosa pública, mobilização eleitoral da religião e relação com a laicidade.


Marina e Michelle tornam essa distinção empiricamente observável dentro da própria tradição evangélica brasileira. A identidade religiosa, portanto, não determina mecanicamente o pertencimento a um campo político nem a forma pela qual religião, democracia e laicidade serão articuladas.


Essas trajetórias mostram por que os campos devem ser pensados como configurações com centros de gravidade, fronteiras móveis e zonas de intersecção. Tebet atravessa fronteiras partidárias e de coalizão; Marina mostra uma articulação entre fé evangélica e defesa da laicidade; Michelle expressa outra forma de articulação pública entre religião e política; Janja permite observar protagonismo feminino, machosfera e violência política digital.


As singularidades não dissolvem os campos. Tornam sua complexidade empiricamente observável.


9. Campos políticos, Estado, mercado, família e autonomia


Essa compreensão permite retornar à questão que formulei inicialmente: a violência contra as mulheres tem lado?


Se “lado” significar classificar partidariamente os autores de feminicídios ou estabelecer uma relação causal direta entre orientação eleitoral e violência doméstica, a pergunta produz simplificação. Mas existe outro nível de análise.


Os campos políticos disputam a maneira pela qual responsabilidades serão distribuídas entre Estado, mercado, família e sociedade civil. Disputam também concepções de família, religião, armas, segurança, direitos, sexualidade, cuidado e autonomia.


Esses campos, entretanto, não coincidem perfeitamente com partidos. A trajetória de Simone Tebet é esclarecedora justamente porque evidencia deslocamentos e recomposições entre partido, candidatura e coalizão. Marina Silva, por sua vez, mostra que identidade evangélica não determina uma única relação entre religião e Estado. Michelle Bolsonaro mostra outra modalidade de participação feminina no interior de um campo conservador, marcada por forte mobilização da identidade religiosa. Janja evidencia uma forma não eleitoral de protagonismo feminino no espaço político.


Por isso, iniciativas específicas precisam ser reconhecidas mesmo quando contrariam hipóteses gerais. A existência de divergências não impede investigar se determinados padrões se repetem historicamente; obriga apenas a demonstrá-los documentalmente em vez de pressupô-los.


É aqui que a noção de mercadocentrismo pode cumprir função analítica. Não se trata de identificar automaticamente liberalismo econômico, conservadorismo moral e violência contra mulheres. São fenômenos diferentes. A questão é investigar como diferentes projetos distribuem responsabilidades sociais entre Estado, mercado e família e quais consequências essas escolhas possuem para indivíduos situados diferentemente na divisão sexual do trabalho.


A Política Nacional de Cuidados constitui um exemplo particularmente interessante dessa disputa porque institucionaliza a corresponsabilização entre homens e mulheres e entre Estado, famílias, setor privado e sociedade civil (10).


Quando cuidado, saúde, educação e proteção social dependem predominantemente da capacidade privada de aquisição ou são transferidos às famílias, devemos perguntar quem absorve aquilo que mercado e Estado não fornecem.


Historicamente, parcela importante desse trabalho tem recaído sobre as mulheres.

Nesse sentido, política econômica e política social também possuem consequências de gênero, mesmo quando não são apresentadas sob essa denominação.


10. Santa Catarina: um caso que impede simplificações


Santa Catarina oferece um caso particularmente interessante para testar essas hipóteses. Desenvolvimento econômico, transformações nas trajetórias femininas, diferentes orientações políticas e violência contra mulheres coexistem no mesmo território.


A trajetória institucional recente impede uma explicação linear. O governo de Jorginho Mello instituiu, pelo Decreto nº 1.042, de 2 de julho de 2025, o Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres 2025–2035. O documento prevê integração da rede estadual, ampliação de serviços especializados, prevenção contínua, responsabilização dos autores, produção de dados, capacitação de profissionais e fortalecimento da autonomia das mulheres (17).


Esse fato precisa ser incorporado exatamente porque os campos não são homogêneos. A existência de uma política formal, entretanto, abre outras perguntas empíricas: recursos efetivamente executados, cobertura territorial dos serviços, integração das redes, continuidade das ações, articulação com municípios e União e resultados observáveis ao longo do tempo. Formulação, implementação e resultados constituem dimensões diferentes.


Santa Catarina torna-se, assim, um observatório particularmente interessante da modernização reflexiva desigual e heterogênea: desenvolvimento econômico, autonomia feminina, permanências culturais, violência de gênero e respostas institucionais coexistem e interagem.


A pergunta adequada não é simplesmente se Santa Catarina é “moderna” ou “conservadora”. É compreender como diferentes modernizações coexistem dentro da mesma sociedade.


11. Marielle: quando gênero, raça, território e poder predatório se encontram


O caso Marielle Franco leva a análise a outro nível porque torna insuficiente qualquer tentativa de separar gênero, raça, classe, território, economia e política.


Em 25 de fevereiro de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou, por unanimidade, Domingos Brazão, Chiquinho Brazão e Ronald Paulo Alves Pereira pelo planejamento dos homicídios de Marielle Franco e Anderson Gomes e pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. O STF também condenou os irmãos Brazão e Robson Calixto por integrarem organização criminosa armada; Rivaldo Barbosa foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva (18).


Marielle não pode, portanto, ser compreendida apenas como uma mulher que ingressou na política. Mulher negra, oriunda da favela, vereadora e defensora de direitos humanos, sua trajetória colocava em relação dimensões que uma abordagem simplificadora trataria separadamente.


Aqui o feminismo complexo encontra um exemplo particularmente significativo. O poder com o qual sua atuação política entrou em conflito também não pode ser compreendido simplesmente como “mercado”. É necessário distinguir mercado, mercadocentrismo e forças econômicas predatórias. Organizações armadas que exploram coercitivamente territórios, serviços ou mercados introduzem relações nas quais poder econômico, coerção e poder político podem tornar-se interdependentes.


Marielle torna-se especialmente significativa porque sua trajetória permite observar, numa mesma configuração, gênero, raça, classe, favela, representação política, direitos humanos, interesses econômicos, domínio territorial, organizações armadas e instituições estatais.


Não se trata simplesmente de somar variáveis. Trata-se de compreender suas interdependências.


12. Hipermasculinidade, armas e poder


Milícias e organizações ligadas ao tráfico de drogas e armas não constituem o mesmo fenômeno. Suas fronteiras, entretanto, podem tornar-se porosas e suas relações variar entre confronto, acomodação e articulação. Há ainda uma dimensão de gênero que merece investigação.


Organizações armadas são predominantemente masculinas e podem desenvolver culturas nas quais armas, dinheiro, território, capacidade coercitiva, autoridade e determinadas concepções de masculinidade reforçam-se reciprocamente.


Isso não significa equiparar machosfera, violência doméstica, milícias e narcotráfico. São fenômenos distintos. Mas podemos perguntar se existem homologias culturais entre diferentes formas de poder masculino: valorização da força, controle, hierarquia, competição, submissão e capacidade de impor obediência.


Morin oferece aqui uma sugestão distante, mas intelectualmente provocadora. Em sua reconstrução da sociogênese, a dominação masculina não decorreria simplesmente da força física, mas da associação histórica entre armas, técnica, organização coletiva masculina e capacidade política de coerção (19).


Não cabe transportar uma hipótese antropológica dos anos 1970 diretamente para o Rio de Janeiro contemporâneo. A questão comparativa, entretanto, permanece: o que acontece com as relações sociais e de gênero quando instrumentos organizados de coerção permanecem fortemente concentrados em organizações masculinas?


O caso Marielle permite perceber a dimensão política dessa questão: uma liderança feminina, negra e periférica adquiriu capacidade institucional de atuar em conflitos nos quais território, economia, representação política e poder armado estavam relacionados.


13. Política cognitiva e disputa pela autonomia


Os conflitos em torno da condição feminina não se restringem a orçamento, legislação ou instituições. Eles envolvem representações. Família, maternidade, masculinidade, feminilidade, sexualidade, autoridade, liberdade e violência são categorias permanentemente interpretadas e reinterpretadas. Moscovici permite compreender como representações sociais organizam a percepção do mundo e circulam socialmente (8).


A autonomia feminina é também objeto dessa disputa. Para determinado universo representacional, a mulher economicamente independente, sexualmente autônoma e capaz de terminar um relacionamento expressa igualdade. Para outro, pode aparecer como dissolução da família, perda de autoridade masculina ou ameaça a uma ordem considerada legítima.


A machosfera constitui um laboratório contemporâneo particularmente visível dessa disputa cognitiva. Vilaça e D’Andréa mostram sua articulação com guerras culturais, plataformas digitais e práticas masculinistas (7). Silva, Nascimento e Bertasso mostram como misoginia digital e machosfera precisam ser compreendidas também como problemas comunicacionais e jornalísticos, utilizando justamente o ataque à conta de Janja como objeto empírico (11).


Mas política cognitiva atravessa igualmente igrejas, empresas, movimentos sociais, partidos, universidades, meios de comunicação e instituições públicas.


É nesse ponto que a comparação entre Marina Silva e Michelle Bolsonaro adquire significado mais amplo. Compartilham uma identidade evangélica, mas isso não produz automaticamente a mesma concepção das relações entre religião, política e Estado. Em três ensaios anteriores procurei examinar justamente a ambivalência da religião entre autonomia e autoridade, suas relações com o populismo na modernidade reflexiva e, posteriormente, a tensão entre religião, populismo e laicidade (14)(15)(16).


No primeiro desses ensaios, parti da tensão entre autonomia e autoridade para compreender a experiência religiosa sem reduzi-la às alternativas entre religião e secularização (14). No segundo, ampliei a análise para as relações entre religião, populismo, mercado e paraeconomia, observando como organizações religiosas e públicos eleitorais podem ser atravessados pela racionalidade mercadológica e pelas estratégias de segmentação política (15). No terceiro, examinei concretamente Trump, Bolsonaro, Marina Silva e Lula, perguntando não simplesmente se possuem ou utilizam referências religiosas, mas o que fazem politicamente com a religião (16).


A religião, nessa perspectiva, não pode ser tratada simplesmente como resíduo antimoderno nem como sinônimo de patriarcado. Pode produzir solidariedade, autonomia e reflexividade, mas pode também legitimar autoridade, obediência e hierarquias. A questão relevante é compreender em quais configurações institucionais e cognitivas a religião convive com pluralismo e Estado laico e em quais configurações atores procuram converter convicções religiosas particulares em normas para toda a sociedade.


Marina e Michelle tornam essa distinção particularmente visível. Janja acrescenta a questão da violência digital dirigida a uma mulher politicamente exposta. Simone Tebet mostra que a presença feminina alcança também centros de definição das prioridades econômicas e orçamentárias do Estado. Marielle leva essa análise às intersecções entre gênero, raça, classe, território, representação e violência.


Nenhuma delas representa “a mulher brasileira”. E é precisamente esse o ponto.


Considerações finais — O “caos normal” de uma transformação inacabada


Beck e Beck-Gernsheim ajudam a compreender algo fundamental: quando relações tradicionais deixam de determinar antecipadamente as trajetórias de homens e mulheres, não emerge automaticamente uma sociedade harmoniosa. Emerge um mundo no qual as relações precisam ser construídas e negociadas.


Esse é o caos normal do amor, mas é também, em sentido mais amplo, uma dimensão do caos normal da segunda modernidade. A transformação é particularmente profunda para as mulheres. Escolarização, direitos, trabalho remunerado, autonomia econômica e liberdade afetiva modificam relações familiares, identidades e expectativas. Entretanto, instituições e representações construídas durante séculos de dominação masculina não desaparecem no mesmo ritmo.


O resultado não é simplesmente emancipação nem simplesmente permanência. É uma sociedade atravessada por emancipação, resistência, adaptação e reação.


Os próprios feminismos tornam-se mais plurais e reflexivos. A machosfera mostra que as reações à autonomia também podem utilizar tecnologias e linguagens contemporâneas. O mercado pode proporcionar independência econômica e, quando convertido em princípio ordenador das demais esferas sociais, transferir responsabilidades para famílias e indivíduos. As políticas de cuidado tornam visível que essa distribuição possui consequências de gênero.


A religião também participa dessa ambivalência. Como procurei mostrar nos três ensaios anteriores (14)(15)(16), modernização e secularização não simplesmente eliminam a religião. Ela própria se transforma e pode relacionar-se de maneiras diferentes com autonomia, autoridade, mercado, populismo e laicidade. Marina Silva e Michelle Bolsonaro mostram concretamente por que identidade religiosa e posição política não devem ser confundidas.


Os campos políticos participam dessas disputas, mas não são blocos homogêneos. Janja, Simone Tebet, Marina Silva, Michelle Bolsonaro e Marielle Franco permitem perceber suas fronteiras, singularidades, tensões e intersecções. Mulheres aparecem, assim, não somente como vítimas de violência ou destinatárias de políticas públicas, mas como sujeitos que participam da própria constituição e transformação dos campos políticos.


Isso permite retomar de maneira mais rigorosa a questão que formulei no primeiro artigo: a violência contra as mulheres tem lado?


Não no sentido simplificador de atribuir identidade partidária aos agressores ou estabelecer relação mecânica entre voto e feminicídio.


Mas a violência possui dimensão política porque as condições da autonomia feminina são politicamente disputadas. A maneira pela qual uma sociedade distribui cuidado entre homens e mulheres, Estado, mercado e família; regula armas e segurança; protege vítimas; concebe direitos; relaciona religião e Estado; organiza serviços públicos; representa masculinidade e feminilidade; e responde à participação política das mulheres interfere no ambiente social dentro do qual autonomia, dominação e violência se relacionam.


Essa conclusão também modifica a maneira de compreender o patriarcado. Ele não é simplesmente uma estrutura antiga que sobrevive intacta à modernização. Pode perder legitimidade, adaptar-se, recompor-se e utilizar novas instituições, mercados, tecnologias e representações.


A segunda modernidade não aboliu o patriarcado. Transformou as condições nas quais ele se reproduz e aquelas nas quais pode ser contestado.


Durante muito tempo, a dominação masculina pôde apresentar-se como natureza, tradição ou destino. Quando mulheres passam a dispor de condições crescentes para questioná-la, aquilo que parecia natural torna-se reflexivo.


E, quando relações consideradas naturais passam a ser objeto de escolha, conflito, negociação e contestação, tornam-se também políticas.


Referências


(1) BOEIRA, Sérgio Luís. Feminicídio como termômetro do declínio civilizatório. 23 maio 2026. Disponível em: websergioluisboeira.com — Feminicídio como termômetro do declínio civilizatório. Acesso em: 19 set. 2026. A página confirma autoria e publicação em 23 de maio.

(2) BOEIRA, Sérgio Luís. Feminismo complexo: entre interseccionalidade, decolonialidade e epistemologia da complexidade. 23 jul. 2026. Disponível em: websergioluisboeira.com — Feminismo complexo. Acesso em: 19 set. 2026. A página confirma autoria e publicação em 23 de julho.

(3) BOEIRA, Sérgio Luís. Como se formou a dominação sobre as mulheres? Patriarcado, família, poder e Estado na longa duração. 18 set. 2026. Disponível em: Como se formou a dominação sobre as mulheres? Patriarcado, família, poder e Estado na longa duração. Acesso em: 19 set. 2026.

(4) BECK, Ulrich; BECK-GERNSHEIM, Elisabeth. El normal caos del amor: las nuevas formas de la relación amorosa. Barcelona: Paidós/El Roure, 2001. Original alemão: Das ganz normale Chaos der Liebe, 1990.

(5) SIMON, Vanêssa Pereira; BOEIRA, Sérgio Luís. Economia social e solidária e empoderamento feminino. Ciências Sociais Unisinos, v. 53, n. 3, p. 532–542, 2017. DOI: 10.4013/csu.2017.53.3.13.

(6) GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Ciências Sociais Hoje, São Paulo: ANPOCS, p. 223–244, 1984.

(7) VILAÇA, Gracila; D’ANDRÉA, Carlos. Da manosphere à machosfera: práticas (sub)culturais masculinistas em plataformas anonimizadas. Revista Eco-Pós, v. 24, n. 2, p. 410–440, 2021. DOI: 10.29146/ecopos.v24i2.27703.

(8) MOSCOVICI, Serge. Representações sociais: investigações em psicologia social. Petrópolis: Vozes, 2003.

(9) GUERREIRO RAMOS, Alberto. A nova ciência das organizações: uma reconceituação da riqueza das nações. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas, 1981.

(10) BRASIL. Lei nº 15.069, de 23 de dezembro de 2024. Institui a Política Nacional de Cuidados. Brasília, DF, 2024.

(11) SILVA, Terezinha; NASCIMENTO, Fernanda; BERTASSO, Daiane. Machosfera no Brasil: desafios práticos e éticos na cobertura jornalística da misoginia nas redes sociais. E-Compós, v. 28, p. 1–21, 2025. DOI: 10.30962/ecomps.3146.

(12) MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO – MDB. Eleições 2022 – Segundo turno. 5 out. 2022.

(13) BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento. Simone Tebet assume Ministério do Planejamento e Orçamento sob o compromisso de “dar visibilidade aos invisíveis”. Brasília, 13 jan. 2023.

(14) BOEIRA, Sérgio Luís. Religião entre autonomia e autoridade: Jung, Weber, Fromm, Beck e Morin. 21 ago. 2026. Disponível em: https://www.websergioluisboeira.com/post/religião-entre-autonomia-e-autoridade-jung-weber-fromm-beck-e-morin. Acesso em: 18 set. 2026.

(15) BOEIRA, Sérgio Luís. Religião e populismo na modernidade reflexiva: autonomia, mercado e paraeconomia. 21 ago. 2026. Disponível em: https://www.websergioluisboeira.com/post/religião-e-populismo-na-modernidade-reflexiva-autonomia-mercado-e-paraeconomia. Acesso em: 18 set. 2026.

(16) BOEIRA, Sérgio Luís. Religião, populismo e laicidade: Trump, Bolsonaro, Marina Silva e Lula. 22 ago. 2026. Disponível em: https://www.websergioluisboeira.com/post/religião-populismo-e-laicidade-trump-bolsonaro-marina-silva-e-lula. Acesso em: 18 set. 2026.

(17) SANTA CATARINA. Decreto nº 1.042, de 2 de julho de 2025. Institui o Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres – SC (2025–2035). Florianópolis, 2025.

(18) BRASIL. Supremo Tribunal Federal. STF condena réus pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Brasília, 25 fev. 2026. Ação Penal nº 2.434.

(19) MORIN, Edgar. O enigma do homem: para uma nova antropologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1975. Original francês: Le paradigme perdu: la nature humaine. Paris: Seuil, 1973.

(20) BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 2011.


P.S.: Usei a IA GPT 5-6 Sol na busca e organização das informações, e na elaboração da ilustração para o texto, que foi concebido, editado e revisado por mim.

 
 
 

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